quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O Profissional


Não se considerava. Mas era um vagabundo profissional. Assustava a sua visão pueril do mundo. Tinha a “alma hippie”, alguns se apressavam em dizer. Eu? Eu era suspeito pra declarar qualquer coisa a respeito daquele sujeito. Que por si só era um case ambulante. Era canhoto. E isso fazia total diferença no ofício que desejava seguir. Não titubeava em alcançar as notas com suas cordas invertidas. Queria se dedicar a música. Ser músico profissional era um sonho que alimentava. Roubavam-lhe o chão com afinco, mas tudo bem... Os amigos próximos aconselhavam-lhe a procurar quem lhe ensinasse a técnica. Precisava de um professor. Um profissional.
Foi mais fácil que pensou. Surfando no Orkut. Mexendo, pra lá e pra cá, encontrou um amigo em comum. Era o cara! Dou aulas de contrabaixo elétrico com abordagem em harmonia. O cara era refinado. Tão bom que até apareceu na biografia do Tim Maia, publicada recentemente pelo Nelson Mota. Estava lá como referencial de comprometimento com a banda, que tocava horror naqueles idos de 70. Estava ali a oportunidade de lapidar seu som.
Tocou a campanhia. Sem muita frescura descreveu seu método de ensino. Focava disciplina nos exercícios e trabalho em conjunto. A propósito, só tinha sinistro matriculado na turma. Entusiasmados celebraram a parceria com um copo de conhaque e a promessa de não passarem, jamais, da quarta dose. Era o começo de uma amizade que renderia boas canções.
Sua música melhorou consideravelmente. Não era mais apresentado como uma promessa por seu mestre. Na noite, arriscava-se nos slaps e no swing diferenciado. Arrastava as cocotas pra onde interessasse. Tinha conseguido significativa melhoria em sua musica. Já gozava os inexperientes com boas tiradas: pra mal comedor até o saco atrapalha.
Chegado o grande dia! Era a hora de colocar os pingos nos is, tirar a prova dos noves, ou qualquer coisa parecida. Foi intimado a substituir seu mestre num grande show que pintara. – Cem reais tá bom pra você? – Só quero um cú e dois contos, parceiro! Nascia a lenda do diamante lapidado. Tinha se tornado um músico de profissionalismo incomum. A essa altura saudou o mestre com uma garrafa Johnny Walker Black a ser desvirginada.

2 comentários:

  1. Sei que esse é um blog de nível,mas sou obrigado a dizer uma coisa:

    PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!!!
    QUE FODAAAAAAAAAA!!!

    Mermão,em poucos minutos de leitura,tu conseguiu me arrancar lágrimas sofridas e gargalhadas das mais rasgadas!Brother,numa boa,poucas vezes fiquei tão emocionado...tô aqui sem reação...juro!
    Já me emocionei desde o princípio só de ver a foto do meu ídolo jazzístico Charles Mingus e depois que comecei a ler então...caracas...me emocionei mesmo...putz!
    Valeu,brother!Tá escrevendo cada vez com mais estilo e classe!O profissional é você,01!
    hehehehehehe
    Abraços,parceiro!Fique com Deus!

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  2. Oi, poeta! Tá bonito esse lugar!! Fiz um pra me ajudar a não parar de escrever, mas às vezes é difícil seguir os mesmos passos... O meu tá lá, meio esqcido, como seu nome. De vez em qndo faço uma visita.

    Bj.

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"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!