sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Carne e livros aos homens de boa vontade!



Há algum tempo, lembro-me de ter folheado uma dessas revistas de consultório. Havia uma matéria particular. Era um consultório particular e suas atendentes simpáticas. No texto, o repórter contava que a última tendência entre a high society era comprar livros à metro. Estranhei... que putaria é essa!!! Pensei em voz alta. Não resisti. Li até o final. Apressadas em demonstrar erudição, as dondocas davam um toque de classe as suas residências, comprando livros à metro. Isso mesmo: preciso de 1 metro e meio de livros, meu senhor. Um momento madame...
Não importava o autor ou tão pouco o conteúdo da obra. O importante era ter uma capa e uma lombada bonita pra fazer um volume, digamos, razoável na estante. Qualquer menção em exagerar nos volumes, tipo Clássicos Gregos ou a coleção completa de Dostoievski passaria da dose. Soaria demasiado brega. O pior de tudo, é que pagavam preços altíssimos para os consultores de livros à metro. É. Existe essa categoria de profissionais. As socialites eram adestradas a gravarem uma meia dúzia de títulos e suas respectivas sinopses. Pronto. Estava resolvido o problema caso fossem questionadas sobre o acervo particular.
Digo por que me lembrei dessa história pitoresca. Em Brasília, o Sr. Luiz Amorim, homem simples e de poucas palavras, transformou o seu açougue localizado na Asa Norte, num açougue biblioteca. Isso mesmo. Adianto, que entre uma peça de picanha e outra, os livros não estão dispostos à metro nas prateleiras. Ou mesmo em liquidação, misturando-se com as carnes cruas. Alfabetizado aos 16 anos, Amorim, tem uma verdadeira paixão por livros e pelo hábito da leitura. Em seu açougue, as obras podem ser adquiridas, “aos quilos” através de empréstimo. E tudo de graça. – Um quilo de livros senhor...
Brincadeiras, à parte, a idéia começou em 1994 com apenas 10 títulos. Hoje passam dos 10 mil. Mas não é só isso, Amorim transformou seu comércio num dos espaços mais prestigiados da cena alternativa de Brasília. O Motivo? O T-Bone, açougue cultural, promove todas as quintas-feiras, um encontro de artistas e apreciadores da boa arte: música, noite de autógrafos, recitais, pintura ao vivo e variedades. Palquinho baixo e o público em volta, artistas como Tom Zé, Geraldo Azevedo já estiveram por lá. Para celebrar os 10 anos da quinta cultural, estão previstos Chico César, Moraes Moreira, Erasmo Carlos e Guilherme Arantes, entre outros.
Como se não bastasse, o incansável Luiz Amorim, encabeça o projeto Parada Cultural. Mini-bibliotecas espalhadas nos pontos de ônibus da W3. Os mesmos pontos de ônibus onde mataram o índio Galdino. Amorim é um exemplo a ser seguido em todas as cidades deste país. Nunca comprei sequer 1 quilo de carne moída, lá no açougue desse camarada. Mas já saí zoado de lá. Vida longa ao T-Bone, porque o Amorim talvez saia deputado. Carne e livros aos homens de boa vontade!
P.S.: T-Bone localizado na quadra comercial da 312, Asa Norte. Pra quem não sabe, T-Bone é um tipo de corte de carne bovina. Ele consiste em um osso em formato de "T" com carne dos dois lados. O lado maior é de contra filé, e o lado menor é filé mignon. Devido ao seu tamanho e à qualidade dos cortes que ele contém, o T-Bone é considerado um dos melhores cortes do boi. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/T-Bone
Acessem: http://www.t-bone.org.br/

Um comentário:

  1. Pô,maneira a idéia do cara...e pensar que tem gente que aprendeu a ler com 5 anos de idade,mas nunca se deu o "trabalho"(se é que se pode chamar assim) de ler um livro inteiro sequer.
    Mas aí,esse "açougue" é tipo um restaurante também?Eles preparam pratos com as carnes pra se comer lá?

    Abraço,mano velho!
    A saudade dos parceiros aperta cada dia que passa!

    ResponderExcluir

"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!