quinta-feira, 20 de março de 2008

O homem que não vendeu a sua alma


Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força
(George Orwell)
O homem que não vendeu a sua alma

na lisura vaga de uma página inexata
dos raros poetas sem susto pairou
o desejo de ser mais um dentre poucos.
desses, que levantam bandeiras justas
do ponto de vista em curso, guardadas
em almanaques utópicos de/para todas idades.
bandeiras opacas, mofadas de tempos,
mas com um especial sabor entre os dedos.
sim! não tens ideologias, mas um punhado de idéias rôtas
que desafiam o senso comum, esquecidas nos bolsos,
sem se saber os porquês de dizerem grandes coisas.
não sejas bárbaro ao romper paradigmas,
pois estarás condenado a um gueto vil.
arrumadinho pras tias e alguns vizinhos,
peidando misericórdia, primórdios de abril.
já não seduz falar de uma beleza sua.
pelo menos conserve um coletivo aparente.
sem lírica suficiente a sua impressão social.
dessas, que não se lê no jornal por pura falta de tempo.
essa tal fertilidade icógnita
de ideais que fedem ao amanhecer,
que acordam para o alvorecer
de dias menos felizes — como se diz...
como se diz país? em trinta e cinco signos imbecis?
- riso, so(r)riso numa bandeira de cabeça para baixo.
não mais, um papagaio caricato, eternamente:
- cá, louro! isso mesmo, calouro. viva ao Zé Carioca!
1
uma fórmula baseada em água pura, ar puro,
alimentos puros, sós, já não resolvem.
mesmo assim revoguem os consórcios da Amazônia.
Deus é dessas bandas, pois já sofre de diabetes tipo 2.
- opa!!! degusto o Pão de açúcar.
ordem e protesto! tira as calças e faz sucesso,
mas que agora pra tê-lo é frescura.
só frescura...
bato na TV com manha...
sou empírico por bater e ela funcionar sem manha.
por ter o desespero na porta e uma merda de diploma.
por estar com fome saciando-me aos poucos.
por comer com os olhos as louras que dançam
e depois me julgar um idiota – achá-las idiotas – ali em liquidação.
os sentidos confundem,
"há que endurecer sem perder a ternura."
decerto, já dizia o soldadinho de chumbo
sobre a prateleira do quarto conspirando.
essa modéstia em declarar:
morremos por máquinas burras.
às vezes, por pátrias e pendengas escrotas.
bravo! elas não dizem nada
mesmo assim “vum bora” pra Timor.
porra!
corra!
com nexo e uma camuflada sandália de dedos.
bem vindos ao século winte e 1
e outras estéticas sociofilosóficas!
preciso resgatar valores cafonas
mas minha bandeira rasgou-se
de tanto ócio e vontades salientes.
2
estou pronto pra esse tipo de idéias.
como disse Karlos Máximos, em a Capital do Pé da Serra,
página anexa, sexto parágrafo:


“vou–mostrar–que-sou-tigrão!
fumando as obras completas de Leão XIII
e outros camaradas da Companhia de Jesus. ”
Deus sabe porque leu – quem sabe?
talvez nós: ciganos. latino-americanos do sul do mapa.
último bloco da fila canhota. de pé, no pé da parede,
só pra escorar sentimentos tropicais
e nenhum sabor convincente nas mãos
dentro dos próximos instantes.

slz/ma, 15 abril 2001

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