quarta-feira, 12 de março de 2008

Prestação de contas


um poema de liberdade...


Prestação de contas


e mesmo antes se sinta
numa linha de idéia
em versos brancos com rima
da multidão plebéia
baratos sonhos na esquina
pros velhos caras da América.

é uma vergonha o holerite,
querem ver meu contra-cheque.
demagogia não tem limites
em seus discursos-aquarela.
vendem o sonho mascarado
em carnaval e novela.

não se trata de uma regra
do que se faz os dias?
a vida é eminente
não se faz só se copia.
espera-se por um deus
de quem se ganha na loteria.

mil sentidos achamos
pra seguir de vez.
nós sem complemento,
pronomes sem endereço
ávidos de utopia
quatro cantos reticências.
direitos concretos em papéis lenda.

o sonho humano termina
onde começa o alheio
não o encontro em dicionários
resto do mundo pequeno.
da nua realidade vivem alguns
sonhos belos. liberdade nas mãos,
não lavar as do cético.

a ditadura nova sorri.
“não mede caras!”
toques de recolher,
bichos no chão da casa.
liberdade é tudo
mais que a soma das partes.
e talvez o mundo seja mesmo
apenas a ante-sala.


3 comentários:

  1. com a ante-sala eu já ficaria feliz...

    "dig dig dig"...

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  2. Essa sacada da ante-sala foi sensacional...isso revela crença em quê,meu nobre? =)
    Lembro de já ter lido este poema,mas não me recordava de detalhes...há coisas novas ou apenas minha memória falhando?
    Abração,mano velho!

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"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!