sexta-feira, 11 de abril de 2008

Bairro



Bairro é um grito. Uma apressada narrativa. Um pequeno relato de minhas muitas andanças pelas periferias de São Luís do Maranhão. Poema atestado. Poema de desesperança escrito em 1999, mas que se aplica aos dias de hoje em qualquer grande cidade brasileira. Aos que se julgam capazes de construir alguma coisa por seu semelhante resgato direto das pastas mofadas de ontem: bairro. Aos que preferem amenidades, por hoje, não! 

Bairro

lugar infeliz 
desprovido do sumo.
sorrisos ímpios 
serafins com fome.

carteado nas vias.
galinhas ciscam o esgoto.
o anjo chora faminto 
por um pedaço de frango.

a paisagem corrói as narinas
toca o insensível!
subtrai a dignidade
ignora a condição humana

rostos extasiados ao marasmo típico
nádegas sentadas sem serviços
os mesmos clientes fantasmas
em ramos apáticos e falidos.

periferia esquecida
discreta esperança
animais de todos os tipos
noturna constatação

habitat peculiar
que às vezes determina
a inexistência de ideais
transcendentes a sina

abutres ratos e moscas
coadjuvantes da história
onde o principal personagem
é o bicho homem que 

late
reza e
chora.

maleável miséria existente
convive nos lares felizes
"o destino há de prevalecer...
já tenho o que preciso ".

SLZ, 1999

2 comentários:

  1. Um cenário muito triste.Que um dia presenciei.Ali estão querubins, serafins, anjos e arcanjos procurando um lindo espaço ilimitado.
    Que haja um eclipse naquele lugar.

    Sucesso.

    Com carinho.

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  2. Gostei! Bonito e triste ao mesmo. Muita pobreza que precisa com urgecia de uma ajuda n só do Estado mas de todos nós.

    bjos

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"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!