quinta-feira, 10 de abril de 2008

Para que C. Prestes Unes retorne a vida


Deus é hipertexto.
Michel Malamed

Sabe amor... Eu precisei de um tempo pra perceber que os papéis me fazem falta. Não tanto quanto você, motivo maior desta carta. Quando cito os papéis, não me refiro a meu script gozado nessa possível, edificante, pífia passagem pelo mundo. Definitivamente, não me valerei da saudade dos papéis, para falar na suada matemática de simbologias. Irresistível busca para a escolha da melhor palavra num poema. Fonema perfeito como o teu sorriso.

Mesmo o tempo, em frente ao monitor conectado do computador e suas muitas novidades, que me sugerem como um alvo. Ou as mais bobinhas boas novas da Internet, de maneira alguma, contemplam a mística dos chamados românticos e ultrapassados amantes das velhas tecnologias. Em última instância, desavisados digitais, que o são, por pura falta de sorte, oportunidade ou resistência ao aprendizado.

Enxergam na antiga Hemington, uma fiel escudeira. No punho de caligrafia apanhada, enigmática ou hilária a única salvação. Quando me refiro aos papéis, ou melhor, às folhas de papel, não falo das que estão piscando na impressora arreganhada, doidas para serem sangradas, ou à seda que repousa no boteco próximo esperando uma mão boba pra ser fumada, quem sabe.

Não, não se trata de uma apologia ao papel. Que dirá ao de pão. Ou o de jornal e suas constantes estruturas narrativas óbvias. Embalagem de peixes e outras coisas mais. Portanto, pouparei o papel higiênico. Sinto falta da folha crua pronta pra ser descabaçada, no entanto, ressuscita CPU, com puta dor e teu sorriso verde ao "inicializar".

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