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domingo, 4 de maio de 2008

Auto-de-fé


Auto-de-fé


Sou valdense sem horizonte

Cátaro pensante

Mártir sonhador

Eterno impostor


Sou hereje injustiçado
Por duas testemunhas culpado

Somos o que somos...

Somos o que querem que não sejamos


A sangue e sofrimento pago com a vida.

Tens uma vaguinha no céu garantida?


Reflexões casuais contradizem seus delírios

Não encontro saídas

Arbítrio inteligente.


Futuro incerto!
O presente incomoda
Passado fétido!

Consertar os erros agora?

Inércia, discursos e balelas

Não reparam em nada a tristeza.
De forçar-nos a acreditar em um Deus
Reflexo das fraquezas de um homem imperfeito


Meus ideais perseguiram

Cadeados inquisidores os mutilaram
Em suas masmorras déspotas tornei-me algo ignóbil.


"Não faça isso, menino! Deus castiga!"

"Não faça isso pobre vil! Deus foi vendido em simonia."

Com sangue e sofrimento sutilezas construídas.

Não fiz do pensamento um vício,
mas um maneira de entender o que [consideravam o limite.

1 comentários:

  1. Quero expressar minha felicidade ao ler esse poema, sou uma fã incondicional de temáticas históricas, principalmente quando vem imerso de significados. Adoro a idéia que você demonstrou de se colocar no papel de herege, aquele que grita sem ter quem possa ouvi-lo. Gosto também da sensibilidade do poeta contemporâneo que consegue transcender para uma época que está tão distante no tempo,mas sentimos os seus reflexos até hoje. Na verdade Allyson a intolerância contra o que é diferente sempre vai existir, cabe a nós respeitar a idéia de Deus de cada um e conviver com ela, infelizmente nem todos tiveram seus ideais respeitados e morreram por causa disso. Sou sua fã nunca se esqueça disso. Beijo grande

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