
Auto-de-fé
Sou valdense sem horizonte
Cátaro pensante
Mártir sonhador
Eterno impostor
Sou hereje injustiçado
Por duas testemunhas culpado
Somos o que somos...
Somos o que querem que não sejamos
A sangue e sofrimento pago com a vida.
Tens uma vaguinha no céu garantida?
Reflexões casuais contradizem seus delírios
Não encontro saídas
Arbítrio inteligente.
Futuro incerto!
O presente incomoda
Passado fétido!
Consertar os erros agora?
Inércia, discursos e balelas
Não reparam em nada a tristeza.
De forçar-nos a acreditar em um Deus
Reflexo das fraquezas de um homem imperfeito
Meus ideais perseguiram
Cadeados inquisidores os mutilaram
Em suas masmorras déspotas tornei-me algo ignóbil.
"Não faça isso, menino! Deus castiga!"
"Não faça isso pobre vil! Deus foi vendido em simonia."
Com sangue e sofrimento sutilezas construídas.
Não fiz do pensamento um vício, mas um maneira de entender o que [consideravam o limite.
Quero expressar minha felicidade ao ler esse poema, sou uma fã incondicional de temáticas históricas, principalmente quando vem imerso de significados. Adoro a idéia que você demonstrou de se colocar no papel de herege, aquele que grita sem ter quem possa ouvi-lo. Gosto também da sensibilidade do poeta contemporâneo que consegue transcender para uma época que está tão distante no tempo,mas sentimos os seus reflexos até hoje. Na verdade Allyson a intolerância contra o que é diferente sempre vai existir, cabe a nós respeitar a idéia de Deus de cada um e conviver com ela, infelizmente nem todos tiveram seus ideais respeitados e morreram por causa disso. Sou sua fã nunca se esqueça disso. Beijo grande
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