segunda-feira, 26 de maio de 2008

Casa dos espelhos



Amigos, um poema esquecido no fundo de qualquer relicário...


Casa dos espelhos


prefiro crianças alérgicas
à tapinhas nos ombros.
só porque tenho a certeza
que a coceira que sentes, menina,
foi eu quem te dei. e mesmo que não,

deixe que eu pense!

sentada nos bancos da escola,
essa a quem prefiro chamar de charme.
fingindo-me acreditar em raras coisas
do pensamento.

que é a realidade?

a porrada avassaladora nas costas?

ou as palavras que desfilam em sua pele nua
a coçar ensejos?
(desejos anticlericais. quase todos impublicáveis

e imperdoáveis como é de praxe)

detesto conceitos e essa dialética fresca

mas tudo faria sentido
insuportavelmente
se pudesse descobrir seu último segredo?


prefiro crianças descalças, pés no chão,

deixando-me fotografar seus recreios

deixando-me sobrevoar suas poucas certezas
reféns no amor: esse sentir sem um porquê de não se saber.

brinquem com espelhos, crianças!

pois mais cedo ou mais tarde
descobrirão a sorte:
fim das possibilidades
começo de quem cogita

acaso bom de qualquer caso.

quando muitos minutos separarem
a chegada da partida
poderão dizer (crianças) que encontraram a saudade.

que é saudade? se um dia a sentirem basta.
ardência melhor que qualquer esquecimento de ontens;
relevantes, se vierem a calhar,
sobre a mesa de incertezas

passadas salgadas
gozadas

seminuas lisas
melhor que qualquer charme (e tudo são charmes!)
fel gostoso da boca

doçura perfeita

doce perfeição: detalhe mitificador? ou já mitificado?

lembranças acesas numa certa escuridão medrosa.


prefiro crianças como você, menina puta,

que dorme e também sonha

displincentemente

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