sábado, 5 de julho de 2008

Colombina


olhos abertos para o caos!
avistei-me na vitrina dos pesadelos ancestrais
saboreando bordões e idéias prontas.
há cervejas no braço da poltrona amassada
incensos da véspera nos cinzeiros da sala
um gato preto mira-me do décimo terceiro andar.
dos auditórios circenses, laboratórios da anti-retórica
e entreguismo clássico, vazou um segredo mágico.

degustei um quilo de clichês,
12 centavos a dúzia ou era o par?
era um verso de Murilo Mendes.
- num sol de tarde, devia ser praia?...

fugi do desejo alienado de parecer fácil
ou aparecer fácil! de fato:
era a bela esparramada na sala
em meio as crianças a falar bobagens
palavras vulgares
inconseqüências de seu gênio vago.

- venho muito respeitosamente, pedir-lhe
que desplugue-se e caia fora do meu rack!!!
sem ignorância chutei-a barraco à fora
recomendei que não voltasse
recordei o dia que a havia comprado.
às vésperas do Plano Collor, pra que poupar?

velha TV
sem reputação e controle remoto
pobre TV
à toa com seus tons mal acabados
impinando a tela sem necessidade
mostrando qualquer promessa de plástica (digital).

de suas janelas hi-techs
vendo a TV ao relento
a Internet bradou sua crítica contra os canais-massa.
apressada publicou em seus blogs
traduziu em winks... emotions grátis :) :p ;)
- TV de ratos jogos piada traseiros ovóides
peitos gozados glicose lágrimas
fruto de seu tubo de imagem poluído e
um alto falante tagarela como um rádio.
Horas em frente a qualquer sítio Google, pode.

na rua confortaram-na ouvindo o seu negócio.
mais tarde, um drinque no boteco próximo.
embriagaram-se ao som de imagem e voz.
times da segunda divisão da bola.

o popular assistindo não controlou a emoção.
levou-a no colo sem restrição.
bonitinha, poucas polegadas
acomodou-a no quarto sem preconceito de marca
compro-lhe um controle e ainda fez-lhe um check-up.
penosamente a quis requintada.

por vezes lembrava de sua pose no bar
colocava no Esporte ou tirava-lhe do ar
mata-tempos: subestimou seu ócio.
fugiu com um home theater e um LCD ignóbil.
final da curtição de um Pierrot assíduo sem lógica.
fingiu tudo fim de tudo:
- não creio em santas, pay per views ou estatais...

mas como era o nome dela?
do grego tele - distante
do latim visione - visão
nomes em almanaques.

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