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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma noite na Academia


Amigos da bodega, os últimos post são de uma safra especial. Espero que estejam apreciando os sabores, peculiarmente, por terem envelhecido em gavetas e pastas esquecidas. Mais uma vez, permitam-me abrir um parênteses pra saudar um poema antigo.

Há exatos dez anos, comecei a rabiscá-lo na sala de aula. Uma tempestade havia se formado à Beira-Mar. Da janela, admirava com Lúcia (beldade recém chegada ao colégio) aquela cena sem precedentes. Um nevoeiro que ia desde a Igreja dos Remédios até a Ponte do São Francisco. O Rio Anil e o mar únicos. Definitivamente não podíamos passar inertes àquela cena. Não tivemos dúvida, começamos a descrever aquele momento.

Levei aqueles rabiscos pra casa e comecei a me divertir com eles. Dez minutos não é um dos meus textos preferidos, mas carrega consigo um significado especial. Numa daquelas manhãs no Santa Teresa, minha grande amiga, Elaine trouxe-me o regulamento de um concurso que a Aliança Francesa faria em homenagem à São Luís. Li o regulamento, titubeei pra caramba, mas decidi participar.

5 meses depois, recebi uma carta que dizia ter ganhado o concurso daquele ano. Reuni os meus pais e a mana e fui à Academia Maranhense de Letras. Desci a Rua do Sol com um sorriso diferente no rosto. Para um jovem de dezesseis anos a Academia era um negócio distante e com uma pompa desnecessária.

Tava nervoso pra caramba, mas o melhor da noite estava guardado. Recebi das mãos de Ferreira Gullar, (maior poeta brasileiro vivo e de quem já era fã incondicional) a premiação e um conselho, dito olhos nos olhos: "Nunca mais deixe de escrever, meu garoto. Meus parabéns!" Inesquecível

Bati um papo agradável com seu Nauro (Machado), poeta que até então não tinha lido uma linha. Fiz um amigo: seu José Chagas. Cronista que sempre acompanhava pelo jornal, mas que à partir daí me deu a liberdade de apanhar os clássicos em sua biblioteca particular.

Como já foi dito aqui nessa bodega, publicar meus papéis era algo com chances remotas de acontecer. Aquela noite na Academia mudou tudo.

P.S.: Naquela noite El Bigodon (Sarney) deu o ar da graça. Cumprimentou com simpatia à todos (incluindo o jovem Allyson Veras) e saiu com a sua corriola de puxa-sacos. Naquele momento, percebi que posar de intelectual era fácil, difícil é ter uma boa história para se orgulhar.


2 comentários:

  1. Você se engana. O maior poete vivo da poesia brasileira e portuguesa é Nauro Machado, de que você nunca leu uma linha. Mas você pode ler e constatar. Não a menor comparação entre a obra de Nauro e a de Gullar. Nem em quantidade tampouco em qualidade.

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  2. Saudações, Ribas! Por muitas vezes estive com o grande Nauro Machado. Coisa de que não é de se estranhar em Slz, tamanha a sua simpatia e cortesia que espalha pelas esquinas da cidade. Seja no Reviver ou lá pras bandas do Renascença (Albatroz), nossas conversas intercalavam, ora sobre a sua vida boêmia nas "bodegas" do Desterro, ora sobre a sua obra, que por sua modéstia, inconfessável maravilhosa. Nauro é incomparável, seu estilo e originalidade únicos. Certamente, "Não (há) menor comparação entre a obra de Nauro e a de Gullar." Pena que penses que ele não é lido. Se Gullar é o maior poeta vivo, permita-me a correção: um dos maiores!

    Um abraço, Ribas!
    Obrigado pela visita à bodega online
    Tome a sua dose!

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"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!