segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dez minutos


Dez minutos

(...) na janela de um sobrado,
em ilha bárdica,
francesa, lusitana,
o céu revoltou-se

Uma grande nuvem cinza
tomou conta da cidade.
O vento frio toca o meu rosto,
me vejo a viajar!

Pelas janelas de minha vida
vejo a igreja iluminada.
Única é a vista,
meu obscuro olhar!

Não vejo a ponte que interliga
só as luzes os faróis
nas ruas as pessoas se escondem
abrigam-se como podem

A vontade de entregar-me
à água fria é tamanha
Enfrentar o oceano! Quem diria...
Não posso, não há quem ouse.

Aprisionaram meu corpo
livre não imaginam minha alma,
a navegar por mares infinitos
gozando meu momento pródigo!

Pena que minha ilusão
não passou de dez minutos
nada mais que dez minutos
saciei meu desejo tempo

As luzes logo se esquece
e a ponte reaparece
os faróis são apagados
a rotina na cidade segue

A vontade de entregar-me
à água fria é tamanha!
Em minha ilha querida
as nuvens, sempre, vão-se!

São Luís-MA, abril de 1999

Um comentário:

  1. Meu amigo, quase esqueci desse momento tão importante.
    Olha, não lembro dessa poesia ser tão bela na época, o que o amadurecimento não faz.

    te amoooooooooo!!!

    Elaine Mendonça

    ResponderExcluir

"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!