segunda-feira, 20 de abril de 2009

Voulez-Vous


Voulez-Vous


Estava morto. Mas recebeu a missão de fazer bem às mulheres. Como um anjo ou coisa parecida saía a comer pelas beiradas. Caminhava por praias. Céu cor de rosa, mar revolto sangue. Cavernas e grutas fétidas. Era um inferno astral qualquer.

Encontrava gente de todas as estirpes em seus sonhos. Jogava tarô e escondia os segredos dos desavisados. Entendia os sinais. É... Entendia os sinais e suas inferências. Falava com gente estranha, que dizia se fazer pouca coisa boa na Terra. Cansado de tudo chutou o balde. Partiu sem data para voltar e o compromisso de voltar. Voltou.

Pensava alto: - quem sabe a terra, o fogo, o ar e a água façam um mix e revelem a 66ª profecia. Quem sabe as respostas não pergunta ao vento. Essas picaretagens que só se revelam entre quatro paredes ou ao encontro de algo realmente nobre. Resignificar, desconstruir, moldar... Amassar a cara com o travesseiro e crer que as suas miniangústias são penitências maiores que os 12 trabalhos de Hércules.

Saudava o amanhã e suas possibilidades inerentes com a displicência de quem come um rolinho primavera em um fast food chinês. Fazia relatos do paraíso. Um negócio organizado com frutas maduras no ponto de serem exportadas. Por que não comê-las agora? Por que se estudar minuciosamente se todo dia tem prova?

Parou o avião na palma da mão direita. Um punhado de espelhos o trouxeram ao encontro. Borboletas gigantes, uma em cada perna o levaram para o passeio. Na sombra de uma árvore morreu com uma cerveja na mão, um crachá no pescoço e 2 tostões no bolso para os pães.

Os seus sonhos eram notícias extraídas de revistas de bordo, letras do ABBA na radio Pop, tudo para entreter passageiros. Espaçonaves que navegam entre céus, estrelas e seres.

2 comentários:

  1. Fábio Mendes Filho1 de junho de 2009 16:48

    Os sonhos nos gritam ao que fechamos os nossos olhos no cotidiano. Nesta correria diária inconsciente geralmente perde-se a capacidade de sonhar belos sonhos, até por falta de repertório. Mas insistente a mente (ou a alma) usa o que tem em mãos para nos avisar: este não é o caminho. Mas se "voulez-vous", Ok.

    Boa! Meu bom amigo, bom ver sua expressão. Bela crônica. Devemos qualquer dia destes tomar umas cervejas numa bodega qualquer e por o papo em dia. Fique com Deus!

    ResponderExcluir
  2. fala Fabinho! \o/ Belas linhas... Obrigado. O convite está de pé aguardando uma posição sua... rsrsr abração

    ResponderExcluir

"Mais uma dose! É claro que eu tô afim!" Obrigado por visitar a bodega online. Abraços!