domingo, 2 de dezembro de 2012

Cama e mesa




Nessa de sentir saudades todo dia
De tudo que me lembre essa mulher
Vejo triste que a vida não é
A colheita da fartura prometida.
Pobre, sonho com a sua beleza
Sua fruta, cheiro e rebolado
Em sua língua e palavreado
A repetir com boca cheia que é minha.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
Ao aconchego de seu peito.

As riquezas do mundo de uma vez
Mesa farta, cama cheia e poesia
Impossíveis pra qualquer freguesia
Agora me sorriem antes das seis.
Abro a porta devagarzinho
E com um beijo vem me saudar.
Pergunta doce sobre os pés de planta...
Comidinha abraço quente aliviado.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À delícia de seu tempero.

Não imagina o matuto apaixonado
Que cama e mesa são apenas partes.
O amor se fortalece em nove meses
Quando chegar conforme o programado.
Sonho embalado em poesia.
Enfim, a família estará completa.
Não sei se mereço a pergunta indiscreta:
- Foi na cama ou foi na rede fabricado?

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À felicidade de uma vida inteira.


Allyson Veras 

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