domingo, 3 de agosto de 2008

Química Teia



Química Teia
lenta abertura de olhos...
para se acreditar que a vida é possível.
Agora antes e depois,
mais logo é o acaso:
seco e servil.
a respeito me ponho a pensar,
que a Afinidade guarda a Finalidade.
Sonhos de menino novo,
peças Lego em constantes conexões.
há ciência o bastante em predispor sorrisos
guardo impressões de uma primeira vez.
cultivando musas deram-me bandejas
atípicos preparativos para um louco encantamento.
Feitiço Maia ou remédio de prateleiras?
eis que me surge um gostoso desassossego.

terça-feira, 25 de março de 2008

Não sinta o método


stratuscirros: inspiração nos céus da bodega | online

Não Sinta o Método

Às vezes
Tudo
É como se não
Tivesse sido:
Nada.
Talvez
Por não termos
A noção exata
Das coisas,
Do tempo.
Esse cristal inflamável
Gás frágil.
Por desconhecermos o todo
Concluímos que somos pouca coisa.
Lodo.
Tolos miseráveis.
Pretensiosos que abominam
Meio termos em geral.
“É tudo ou nada!”
Não se encontra fechadura
Pra tantas chaves.
Tudo é (tão) sem fim!
O universo, por exemplo.
E aí o mar, as estrelas,
As estrelas do mar.
(Na escola era assim).
O nada é tão pouco
Que coçamos de desejo.
Por ser nada e nem sempre valer a pena
Pra nos machucarmos
E acreditar num deus pequeno.
Por pior que seja, Deus não está
No todo, está no nada.
O nada está aí pra aliciar

Tudo são convenções bobas
De um mundo simpático.
Nada é contável
Inclusive as rugas da cara.
As coisas habitam perto...
Pra ver, não precisa
(Verdadeiramente)
Estar com os olhos abertos.
Nada é conveniente
Tudo é um absurdo
(Note! Os extremos se completam.)
Não temos certezas;
Absolutas verdades.
Há coisas melhores pra se pensar,
Mas por que será que só temos perguntas
No senso de ser tudo oito ou oitenta?
slz /2000

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Disk Pizza



O ramalhete de flores na lata do lixo

Não é um ramalhete de flores...
É uma pequena amostra da briga na véspera.

O carimbo que repousa na almofada anil
Não é apenas um carimbo, mas o prenúncio
De férias ou recesso no gabinete.

A prima seminua no alto da escada
Não é uma cena sem precedentes.
No jantar, seu desejo partilhado por baixo da mesa.

Sobre o móvel, dinheiro em bichos de louça
Anunciam a economia dos novos tempos.
Renúncia encorajada até o sorteio do próximo bilhete.

O gol anulado é mais que um gol anulado
É a tristeza de uma nação inteira.

O telefone fora do gancho é mais que um sinal de espera.

AV | jan/2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Intima Ceia

 


Um dia, um pobre sapo, desses que passam a vida a contemplar a lagoa como se a mesma fosse o quintal do mundo e, no entanto único. Degustando sua inútil e gasta sabedoria do pântano. Avistou uma jovem muriçoca em sua perna. Sugando. Plena como se tivesse descoberto um recanto. Simples livre... Sem noções de tempo e espaço. Sem se dar conta do perigo que corria ao saborear sua displicência que chegava a ser poética.

O sapo vivia com fome pelos brejos e suas margens sossegadas. Paquerando sapas e pererecas de espécies exóticas, num incansável descontentamento. O tédio deu lugar a euforia, de imediato pensou em devorar aquela jovial. Aceitando sua condição de sapo, como se obedecesse a um chamado. Necessitava acariciar o estômago, a muito preconizando, contudo o insight certeiro. Travando sua astuta língua. No ar. Em frações de segundos deu-se conta de já ter ouvido falar daquela pequenina em especial, que um dia encantou o lugar com sua franqueza. Consciente de si declarou aos quatro cantos daquele cenário pacato e de escassa sinceridade que possuía uma única certeza.

Angústia de toda sua existência díptera e entomófila – sendo esta última característica seu maior segredo. Aflingía-se com a cega convicção que a acompanhava desde os bancos da escola. O desprazer de incomodar com seu junido a todos a quem procurava para matar sua sede vital. Sina destino acasos apenas, de quem ama a vida. Vez em quando, por sorte vivendo-a. Convivendo com sua certeza: um incompreensível barulho melódico. O sapo lembrando-se daquilo que ouvira falar um dia olhou para dentro de sua alma anfíbia não se reconhecendo. Inebriado no que restava de sua sensibilidade anura disparou dono de si:

“Sorrateira e tão sozinha! Não devo matá-la, coooooooitada! Só possui uma certeza na vida. Há penas... Então a muriçoca, boba, mas pouco ingênua apaixonou-se pelo sapo. Pelo seu gesto. Por suas palavras. Cooperação. O valor das trocas comercias. Love history à Alencar. Deu-se conta de que não precisava mais de asas e, no entanto era alada. A ladra. O sapo? Bem... aos poucos foi se sentindo roubado. Um convite à poça d’água. Suculentos mosquitos machos, pernoite pras bandas de cá. Alcoviteira. Certeza de poucas vezes. Muriçoca e sapo, saciados. Ela mais...