Sem cerimônias- (...) todo o cosmo se elevou!
Convenhamos... Parece uma frase de mangá sem estrelas, mas era com essa expressão, que ele falava orgulhoso do dia que conheceu Brícia. Hoje, conhecida como a maior profissional da Zona 23, disparada a maior concentração de 'preparadas' da cidade.
No começo todos sabiam, mas ninguém confirmava a fama da menina. Muito menos julgavam Che, que cego de paixão casou-se com Brícia. "Somos de uma galáxia distante, enfim nos encontramos!"
Dr. Ernestro Alvarenga Nunes, Che como autoapelidava-se, era bacharel em Direito com carteirinha da Ordem e tudo. Nas horas vagas, cafetão do raparigal e líder do movimento de construção de uma paróquia nas proximidades. Sempre embebido em sua convicção clerical, dizia que era pra salvar as almas de suas protegidas e dar legitimidade ao local.
- E aí como foi?
- Judiei da pilantra... - confessou com os olhos cerrados; e prosseguiu com a mão roçando o queixo.
- Joguei a vadia em cima da mesa, pediu que mandasse com força.
"Fueda-me marmanjo!", gritava. À medida que empurrava o bruto, pediu que batesse na cara. Me chamava de cavalão.
- Cavalão?...
-Sim, cavalão!
- Deu na cara?
-Dei... Mulher de malandro, Peixoto? Qual é? Perdi a linha...
- Posso te falar uma coisa? Che, ta procurando quem fez aquilo com Brícia. - E tu não sabe da maior. Ela denunciou ele como autor da tua obra prima.
Com a voz embargada, retrucou:
- Deixa de brincadeira, Peixoto!
- Calma... Só eu sei quem foi o artista.
- Qual é? Tu acha mesmo que eu tô acreditando nessa porra?
- Meu nobre, vê lá como tu fala comigo. A coisa tá preta pro teu lado - sorria com ar sério e sacanagem disfarçada.
O malandro de minutos atrás, deu lugar a um Zé Ruela perdido.
- Então...
- É... Tu tá fudido.
Na mesma noite, a vagabunda tinha denunciado Che. Fizera corpo delito e todos os procedimentos que necessitava. Sem cerimônias, disse com todas as letras ao delegado: - Foi ele.
Che, compareceu espontaneamente à Delegacia. Indagado pelo polícia com os porquês de ter feito aquilo, negou insano até o fim. - Vou pegar você e o desgraçado que me ferraram!
- Cala a boca MALDITO! Eu só quero sair da putada, esgoelou Brícia.
O delegado sorriu e encerrou o caso. Em seus pensamentos felicitou-se: "Eu sou foda! Cavalão do caralho.".