segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Fechado



amigos da bodega,

o cenário é triste...
nos apressamos em informar que os bolores seguem buliçosos aqui na bodega | online.
provavelmente uma reforma ou coisa parecida, não serão suficientes.
afinal de contas, foram longos anos de ausência.
pra dar um jeito no total abandono,
mais que toalhas e cadeiras novas,
pratos quentes e bebida amiga exigem o rigor das horas.
(um prazeroso trabalho não se aproxima).

a música acabou!
nem de longe ouvimos o ir e vir da turma
que num esforço fidelíssimo prestigiava o recinto, agora vazio.

ouçam o eco... afinar o piano não seria tarefa fácil.

ainda teremos fôlego?
pra retomar, seja do início, do meio ou do fim?
prestigiariam a humilde casa com suas ideias, contribuições e ébrias visitas?
(perdoem a súbita provocação). Desde já, agradecemos as manifestações.

ainda que o ímpeto seja outro, a bodega online seguirá com suas atividades interrompidas
e agradece a todos (as) que aqui tomaram uma dose.

a gerência

sábado, 20 de julho de 2013

Quinta- feira, 20 de junho 2013

Dia de maior mobilização nacional, protestos levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas no Brasil. Além da pauta inicial pela melhoria dos transportes públicos e redução das tarifas em R$ 0,20, deflagrada pelo Movimento Passe Livre (MPL) em Goiânia e São Paulo, mais investimentos para Educação, Saúde e Segurança Pública e intenso combate à corrupção, fizeram coro ao grito de insatisfação. As manifestações pipocaram em várias capitais e centenas de cidades nas cinco regiões do país. Ao todo, 388 cidades tiveram manifestações, incluindo 22 capitais.


Concentração na Candelária, Rio de Janeiro (RJ)
.
Palácio da Abolição, sede do Governo do Estado (CE)

A seguir, compartilho alguns registros do 2º dia de protestos organizados pelos estudantes do (MPL) em Fortaleza. A passeata aconteceu na histórica quinta-feira, 20 de julho, com concentração na Praça Portugal. De lá, os manifestantes seguiram pela Av. Desembargador Moreira até a Assembléia Legislativa, tomaram a Av. Pontes Vieira com destino à Av. Barão de Studartt. Desceram toda extensão da avenida até o Palácio da Abolição (sede do Governo do Estado), ponto "C" no mapa. Mais de 30 mil pessoas estavam presentes no ato, que cobrou além da redução de R$ 0,20 no preço na passagem de ônibus (R$ 2,20 para R$ 2,00). Os protestos levaram, em algumas cidades, à redução das tarifas de ônibus, cuja reivindicação predominou nos atos. Até o momento, as tarifas não foram reduzidas em Fortaleza.

Trajeto 2º dia de protestos


Sede do Governo do Estado do Ceará - Aldeota

Bloqueio na Barão de Studart com a Costa Barros




Espelho d'água, mausoléu Castelo Branco ao lado do Palácio

Concentração na praça do mausoléu Castelo Branco


Palavras de ordem em frente ao Palácio da Abolição



Bandeiras Pretas

Todo Estado é assassino


Palavras de ordem


Tentativa de invasão

Reação da tropa de choque gás lacrimogêneo 

Choque

Abolição???


O crescimento da onda de protestos levou a presidente Dilma Rousseff a convocar uma reunião de emergência na manhã do dia seguinte, 21/06/2013, além de realizar um pronunciamento no final da sexta-
feira. No dia 24/06 uma reunião interministerial, com a presença de governadores e prefeitos de grandes cidades aconteceu em Brasília. A proposição de um plebiscito que autorize uma constituinte para a reforma política não foi bem recebida pelo Legislativo. O Tribunal Superior Eleitoral, congressistas de oposição e parlamentares da base de apoio ao governo afirmam não existir tempo hábil para realização da consulta popular. Os índices de popularidade da presidenta Dilma, divulgados pela grande midia, continuam a cair.



Ver pronunciamento 21/06/2013 auge dos protestos: http://www.youtube.com/watch?v=XEj3UH69g5k 


Por ocasião dos jogos da Copa das Confederações, os protestos ganharam mais força ainda e continuaram com o movimento intitulado "Mais Pão, Menos Circo". Dia 27/06, jogo Espanha e Itália, marca o último grande protesto em Fortaleza.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

anatol

anatol knotek (born 1977 in vienna) is an austrian artist.
visual and concrete poetry, installation and conceptual art are in the center of his artistic work, which has been exhibited internationally. his concrete and visual poems have been published in journals, chapbooks, schoolbooks and anthologies.

http://www.anatol.cc/textanimations.html#.UPbOb_JD1QI

domingo, 9 de dezembro de 2012

Desenho antigo


Desenho antigo

e houve naturalmente a criação:
uma casa flores um carro...
lápis afiado, verde nas árvores,
pontinhos vermelhos são maçãs gala.

um barco duas velas e âncora
cais de pescaria ondas no mar
peixes felizes na correnteza.

na montanha nuvens graúdas
sóis e aviões contentes no alto
num risco distante gaivotas no céu

cores, cheiros e lembranças únicas
formas e pensamentos misturam-se.
toda reverência ao olhar criança de ver o belo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Cama e mesa




Nessa de sentir saudades todo dia
De tudo que me lembre essa mulher
Vejo triste que a vida não é
A colheita da fartura prometida.
Pobre, sonho com a sua beleza
Sua fruta, cheiro e rebolado
Em sua língua e palavreado
A repetir com boca cheia que é minha.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
Ao aconchego de seu peito.

As riquezas do mundo de uma vez
Mesa farta, cama cheia e poesia
Impossíveis pra qualquer freguesia
Agora me sorriem antes das seis.
Abro a porta devagarzinho
E com um beijo vem me saudar.
Pergunta doce sobre os pés de planta...
Comidinha abraço quente aliviado.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À delícia de seu tempero.

Não imagina o matuto apaixonado
Que cama e mesa são apenas partes.
O amor se fortalece em nove meses
Quando chegar conforme o programado.
Sonho embalado em poesia.
Enfim, a família estará completa.
Não sei se mereço a pergunta indiscreta:
- Foi na cama ou foi na rede fabricado?

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À felicidade de uma vida inteira.


Allyson Veras 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A reprodução de uma briófita







que deuses profanas, mísera de amarga cor?
em teu semblante, sombras: império de dúvidas.
teu deboche pútrido escorre em aplausos.
em qual ilha estiveste ou diversa estará exilada?

a todos fere com um instinto servil.
penam calados, os castigados em vão.
as chibatas do tempo te perseguem a galope.
torpe ventura de ter sido parida.

vertiginoso o impulso de proferir o derradeiro golpe
furta-me a presença, valide a misericórdia.
monte em sua besta impulso desesperado,
a maldita te espera, na lama saciada.

à espera da cura, o mal prolifera voraz!
não sabe o tumor maligno ineficaz,
que a dor passa! musgo daninho de nada.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Perfil: Gentileza

  (...) a vida é uma eterna garotinha que ensaia os primeiros passos. 


"Como vai a nossa menina?" Solene, encaixa a saudação. A todos que encontra formula a mini-pergunta, com ar curioso. Apesar da pouca erudição, impressiona o seu esmero com as palavras. É o que se apressam dizer: um homem sábio. Tenor no coral da igrejinha, o chamam Gentileza por suas palavras amigas e seu jeito prestativo, mas não é dado a fazer inscrições pelas ruas da cidade, como o famoso homônimo do Rio.

Para ele, a vida é uma eterna garotinha que ensaia os primeiros passos. "Como vai a nossa menina?" Como tá a vida? Deu para entender a saudação, agora? "Tudo está por vir, sabemos pouco do infinito e não sabemos esconder." Filosofa, horas a fio, na roda de aposentados. "(...) a vida é uma dádiva, presente que nos foi dado sem nada em troca. Dom, sopro, luz.

Nessa passagem, nascemos e morremos crianças." Em suas palavras, envelhecer significa torna-nos crianças outra vez." Nascer e morrer... Mas viver criança. Isso ajudaria a explicar a frase: cabeça fresca, mente jovem, coladas em um quadro na sala de estar. Calma, vai? Relaxa! Eterna infância, dentro de nós.

"Do início ao fim, a garotinha nos acompanha sem pedir muito. Devemos aprender com seus pequenos gestos. Relicário de sutilezas guardadas ao longo da caminhada." A vida é um eterno aprendizado, máxima estampado no mobiliário urbano, na lameira do Mercedão 72, hoje tão etéreas as lameiras dos caminhões! "Meu sonho é voltar para casa, pegar o ônibus e ir para o Nordeste. Aqui faz calor, lá também, mas tem brisa." Cutucou, com um verso de Betânia.

Estava quase certo de que o amor nasce do cuidado que temos por essa mocinha linda, canteiro chamado vida. Nosso viveiro particular. "Ame a vida, ame a ti mesmo. E se ela sorri para você, não tente disfarçar. Como vai nossa menina? Vi o seu riso. Se a vida te sorriu, meu caro é porque estás apto a habitar outro ser." Sobre o casamento anunciava: "Casar-se é o ato de entregar nossa criança ao outro e deixar-se receber a do outro em troca." Uma troca sem parâmetros... Está casado com D. Pureza há 53 anos.

Uma vez perguntado qual a fonte dos bons pensamentos, respondeu: Canto, admiro os pássaros e quem sonha voar com eles, cultivo a esperança e a dúvida. Às vezes, ando de bicicleta. Adverti que seguiria a sua receita.

P.S.: Gentileza, filosofou sobre sua garotinha (vida) no quintal de sua casa. Debaixo de um pé de abacate carregado.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Picanha à gentileza

Deu para sentir o cheiro? Essa é uma à Fiorentina, 
mas com uma farofinha de leite já dava, não? (Foto:Paulo Motta)



Não! Não se trata apenas de um mero pedaço de carne. Corte bovino que inventamos e exportamos para o mundo. Que bom seria se o boi tivesse mais de uma, lamentam os criadores e os carnívoros de fim de semana. Parte nobre da peça de alcatra que tem até 1 quilo e meio (se tiver mais do que isso é coxão duro!). Até quem não gosta de carne não resiste... Cara de nojinho com um pedaço quentinho, fatiado na hora, não dá!

Ah!... A picanha que minha mãe costumava fazer aos sábados. Com licença aos entendidos, essa é a minha comidinha preferida. Deliciosos momentos que eternizei em minha memória “gastropoética”. Quando não acompanhava, passo a passo, as etapas de preparação da iguaria, despertava com o cheiro que chegava até o quarto.

No começo, exigia-me que fosse à feira para escolhermos a melhor porção. Depois de um tempo, ela surpreendia-me serena com a boa mesa. Constatação materna, de que uma semana inteira metido no trabalho, mereceria uma sutil gentileza. Meio quilo de um bom corte, um punhado de sal grosso e pitadas generosas de amor.

Fazia sem cerimônias em uma pequena churrasqueira elétrica. Para acompanhar: farofinha na manteiga de garrafa, vinagrete e lingüiça apimentada. Na geladeira, cervejas geladinhas da véspera, à espera de um brinde e o desejo carinhoso: - Bom apetite, meu filho! E pensar que um avião para Fortaleza-CE, possa me trazer de volta essa gostosa lembrança.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sonhos



Se o sonho fosse (como dizem) uma
Trégua, um puro repouso da mente,
Por que, se te despertam, bruscamente,
Sentes que te hão roubado uma fortuna?

Jorge Luis Borges

terça-feira, 20 de abril de 2010

Outros argumentos



Às quatro e meia rola pela cama. Põe um travesseiro entre as pernas mas não resolve. Uma dor de cabeça, ainda da véspera, a incomoda. Mas o que de fato tira o sono da princesa? O que a leva a pensar que amenidades são coisas inventadas por algum desocupado na mesa do bar.

O quarto está vazio. A casa está vazia. Entre a porta do banheiro e a esquina da sala fotografias de um tempo para ser guardado em fotografias. Um pensamento bom invade a casa ao mesmo tempo que o sol desvirginiza os tacos recém encerados.

Entre uma torrada e um gole de leite quente pensa em mudar de ares. Dessa vez seu excesso de reservas não a impedirá de fazê-lo. Aliás, o excesso de reservas a tortura. Podia ser menos inibida? Mais "saidinha" sem parecer artificial?

Passa despercebida, mas a mulher que passa, não. A maioria a acha séria, mas há um grande senso de humor, um jeito moleque, uma versão particular. Tradução conhecida por poucos. Está insatisfeita e continua a idealizar o mundo, as pessoas. Achar a pessoa certa requer outros argumentos.

Há um coração pulsando naquele corpo de sereia, ainda que seus referenciais não sejam os mesmos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Certinha



Noutro dia, em linha rasa de um jornal local,
Encabeçava a página uma manchete popular.
Sob o olhar dos outros, intrusos e agora dos muitos leitores,
Eis que o destino lhe feriu com um pesado golpe:

- Mulher enche a cara e atropela a sua reputação

O que pensarão da jovem?
Que fazer com os comentários dos colegas de repartição?
O próximo copo, a próxima taça aproximam-se velozes como sede de vingança

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A mulher que passa - Parte 2



Entre uma cerveja e outra acariciavam-se e entendiam-se fortuitamente em seu ninho de amor. Planejavam viajar em breve. Pegar a estrada novamente, conversar sobre amenidades. Um verdadeiro estado de espírito que há muito tempo não pairava sobre a vida do jovem casal. Um relacionamento movido por contínuas discussões. Motivadas por razões que não sabiam mais explicar.

No entanto, insistiam. Queriam respostas e não sabiam onde buscá-las. Diálogo? Essa e outras palavras também não faziam mais parte de seu dicionário amoroso. Ela estava cansada com ele, com a sua mania de colocar o trabalho acima de tudo. Ele sem esperanças com a paralisia emocional da noiva.

Não resistiu. Pediu que fosse embora. - Você está me expulsando? Recolheu as suas coisas e as jogou numa sacola do Carrefour. Sem cerimônias, a colocou para fora. Esmurrou a porta muitas vezes e o xingou sem a polidez do primeiro encontro. Desceu o elevador em lágrimas.

Do outro lado, ele não entendia o acontecido, o seu ato impulsivo e desastrado. Naquele instante, uma chuva desabou sobre o bairro. Correu para fechar as janelas. Por entre as frestas das persianas, um sorriso pousou em seus lábios. Esperou vê-la, ter certeza de que iria mesmo embora.

Ela pediu um sinal dos deuses que explicasse tamanha injustiça. Um futuro incerto os esperavam. - Nem fudendo! Não entendia o porquê da expressão martelar em seus miolos. Seguiu apressada em direção ao carro estacionado em frente ao prédio.

Da janela também a avistou em risos. De braços abertos a contemplar a chuva que parecia lavar a sua alma. Estava certo de que a tinha colocado não só para fora de casa, mas para fora de sua vida. A priori, saudavam a chuva e o cheiro de terra molhada como o sinal que intimamente buscavam.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A mulher que passa


A vista estava ruim, mas insistia com aquele hábito. Dizia gostar de ler a Bíblia como experiência meramente literária. Suas parábolas e mitos o faziam crer em um mundo melhor. Insistia em ir à missa aos sábados. Na estante do quarto, Kierkegaard piscava com um olhar discreto e desinteressado. Às 4 da manhã, entre uma dose e outra, as paredes compartilhavam sua sede de vontade. Tinha desejo de gritar, encontrar um fio de esperança no mundo, mas revelar suas angústias daquela forma, soava imprudente demais.

Todos os dias contemplava a rua e o irmão sol. A virgindade natural de cada novo dia. A mulher, que de manhã passava em seu caminhar apressado, tornava o banho mais agradável. Era feliz, mas estava envelhecido por dentro. Aos 37 anos vivia a ditadura da conformidade em que o mundo parecia estar metido. Passar em um concurso público, comprar uma casa, casar, ter filhos. Mas não resistia viver o caos e a liberdade de desafiar o que lhe impunham.


O trânsito incomodava mais que a sua gastrite. Já preferia ir de ônibus para o trabalho. Em um dia comum e de pouca paciência com buzinas,  encontrou a mulher que havia acostumado-se a homenagear durante o banho. Cabisbaixa, melancólica, soluçava baixinho em frente a passarela.

Teria brigado com namorado? Um ente querido falecido? Qual seria o seu nome? A cena comovia, mas não teve coragem de abordá-la. A mulher que a essa altura chorava copiosamente é a mesma que todos os dias tinha uma luz diferente e olhar sugenere de donzela. Tomar banho pela manhã não teria mais o mesmo gosto e a mesma cor.

Allyson Veras

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nas nuvens



Voava sempre na poltrona cuja numeração era a mesma de seus pés. Cacoete de quem queria manter uma estreita relação entre: o ato de voar e o que um dia fez de melhor em solo - 34! Repetia afoito à moça da companhia aérea quando escolhia comprar seus bilhetes. Não entendi, Sr.? Fileira 34?

Mendonça foi bom de bola, mas detestava holofotes.  Com seu pé de anjo levou o Expressinho à Terceirona do Campeonato Maranhense de Futebol em 1975. - Saudades do tempo em que eu era rei na Cohab, comentou com o passageiro ao lado. Essa de querer fazer amizade durante o voo era outra mania que cultivava. - Meu sonho era ter jogado no Moto Club, quase fui pra lá em 76. Era muito garoto, pestanejava.

Aficionado por futebol, mas com problemas no joelho esquerdo parou aos 25 anos. Mudou-se para Teresina (PI) onde conseguiu servir o Exército. - fui parar na  Intendência (logística da Força), era bom com a máquina de datilografar. Para pedir dispensa nos feriados e comemorações de fim de ano, matou a avó e a mãe muitas vezes. Mas aqueles tempos não eram bons, por pouco não foi parar na Guerrilha Araguaia. - escapei fedendo de ir para o Xambioá (pássaro veloz, em dialeto indígena), repetia essa história sempre que tinha oportunidade.

Com a bola dava seus pequenos espetáculos. No quartel era uma espécie de Gerson, mas a vida não corria sobre a Lei de mesmo nome, famosa lá pelos idos de 74. Depois de 5 anos aprendendo a ser burro, precisava de capim novo. Foi para São Paulo (SP). Poltrona 34 de um Itapemirim lotado de farofeiros. É... o frito (farofa de carne e/ou frango) rolava solto na caravana de nordestinos. Livres de suas descrenças. Alimentados de boa fé no que iriam encontrar.

Era hora de buscar. Contínuo, auxiliar de escritório, vendedor de ouro, gerente de vendas, numa lojinhas na Ramos de Azevedo. Cursou Administração e 2 períodos de Direito ( o suficiente para se dizer advogado). Viveu 7 anos em Sampa, aprendeu tudo e mais um pouco na escola da vida. Noivou 3 vezes, mas nunca casou. Voltou para São Luís (MA), onde fez família e seu pequeno pé de meia com a vivência acumulada.

Toda vez que voava eram inevitáveis as suas recordações. De como chegou ali. Nas nuvens, sentia-se perto de suas lembranças e do sagrado. - Mais uma água, por favor. Brindava com a recém amiga feita durante o voo. Virou empresário de jogador. Naquele momento ia para a Bélgica, assinar o contrato de mais uma promessa do futebol maranhense.

sábado, 19 de setembro de 2009

Pequena história



Lendo o blog do Geneton Moraes Neto encontrei seus "arquivos implacáveis". Dez anos depois da morte do poeta autor de “Morte e Vida Severina”, uma preciosidade de João Cabral, um reacionário clássico.

“Tenho aversão à subjetividade. Em primeiro lugar, tenho a impressão de que nenhum homem é tão interessante para se dar em espetáculo aos outros permanentemente. Em segundo lugar, tenho a impressão de que a poesia é uma linguagem para a sensibilidade, sobretudo. Uma palavra concreta, portanto, tem mais força poética do que a palavra abstrata. As palavras “pedra” ou “faca” ou “maçã”, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que “tristeza”, “melancolia” ou “saudade”.

Em um livro antigo, de um autor desconhecido encontrei esse pequeno poema. Fala de amor quando há esperança. Definitivamente não faz o estilo de João Cabral.



Pequena história

Quando todo amor do mundo não é suficiente.
As ruas são desertos, estações de trem e pontos de fuga são nulos
Não se acerta o endereço de casa, o telefone do amigo próximo
E mesmo os sonhos não são mais necessários

Quando todo amor do mundo não é suficiente.
As paredes do quarto são projetores de minicertezas
Imagens desbotadas que não impressionam
Museu de arte sem espectadores ou obras raras

Quando todo amor do mundo não é suficiente
Sereias e princesas dão o ar da graça,
Nesse maravilhoso mundo de contos
O desencanto é pouso da esperança

Quando todo amor do mundo não é suficiente
Perde-se as chaves de casa, a condução de todo dia
Torna-se perigoso quando toda chama se apaga,
Mas a primavera se aproxima

Quando todo amor do mundo não é suficiente
Reminiscências existem para serem celebradas
Valores, conceitos e ações ganham asas
A poesia é dura e feita de matéria

A. Veras