domingo, 5 de outubro de 2008

Fifteen flower


Fifteen flower


idos de outubro sobre o olhar lúdico
é primavera no jardim da rua
e tudo se encerra no vigésimo sexto dia
na esperança que nasçam flores em meu canteiro vazio

existem lógicas inúmeras
na madrugada as flores são muitas.
mas há que existir o irresistível doce.
demasiadamente especial como se fosse.
insistentemente minha e o perfume de todas.
aromas e sabores de um eterno instante a dois

momentos primo verais em ti
sensações primaverais em mim
À flor da pele, pétala por pétala, teu.
porque também és tu.

sábado, 4 de outubro de 2008

Joguete


Joguete


recuperar o tempo perdido enquanto tudo se desfez
dizer ser infinito enquanto o fim permeia
dominar o espaço enquanto desconheço a mim mesmo
distrair o pensamento enquanto saídas não encontrei

ser compreensível enquanto o contexto não se fez
decifrar os pergaminhos enquanto fujo ao que leio
estar confiante enquanto correm os ponteiros
rezar por um Deus enquanto quero corpo inteiro.

contar mentiras enquanto penso em lucidez
achar fabuloso enquanto o sapo vira burguês
sorrir esquisito enquanto os servos matam o rei
falar em amigos enquanto querem minha cabeça

lutar contra evidências enquanto vasculham o meu templo
querer humildade enquanto as luzes se perderam
crer na realidade enquanto assim convém
viver a razão enquanto grita o que vem de dentro

não tenho medo de dizer adeus, apenas procuro a paz
apenas busco a trajetória enquanto imploram para que eu me distraia
sem destino, perdido mais nada,
encontro vestígios do que ainda teimo crer

post mortem:

enquanto houver enganos da eterna alma vazia
enquanto houver enganos nostálgica razão perdida
digo adeus por nós, encontramos a foz
becos de uma história em aberto
odisséia dos homens na terra
pesos e medidas a entender-se

sábado, 6 de setembro de 2008

Setembro 1999


Setembro 1999


um estado, lágrimas inatas.
um Estado lágrimas e nada.
estado concreto! não o abstrato.
de leis que nem mesmo são leis,
ninguém para cumprí-las de fato.

estado transitivo, intransitivo,
sei lá! de agonia... a inércia é total!
- o que inércia?
diria o cidadão sem eira nem beira
só com o azul do céu
faltando as nuvens para pisar.

deliberadamente vamos celebrar a falta de assunto.
onde estão as propostas?
inteligentes propostas.
canhotos destros, destros canhotos.
reclamamos por reflexo:
impulsos nervosos que se fazem na décima terceira vértebra da espinha
(sem qualquer carne de peixe)

cenário sujo! uma Candangolândia enfeitada para o dia 7.
patriotismo ilustrado. nas siglas do inferno F...C... M... H...
coisas da terrinha em que se plantando tudo dá.
traidores liberais, transpirando ideais mórbidos
mantém o mistério de serem hipócritas das criptas de primeiro escalão.

covardes sentados em mesas de Cedro amazônico.
miseráveis trepados nos meses de fome.
a inércia é total!
- o que é inércia?
diria o pequeno cheira cola no sinal.
responderia em um artefato o poeta:
é tal falta de propostas... inteligentes propostas
propósitos inteligentes.

misturamo-nos com a burguesia
sentando para conversar.
misturando ideologias
tomando chá em porcelana inglesa

somos os filhos da revolução inacabada
somos os filhos dos exílios frustrados
somos um povo sem memória
- Independência ou morte!
Mataria quem? O portuguezinho no alto de seu cavalo?

privilegiados intelectuais cátredas
marginalizados povo massa
ainda podemos nos armar
nosso pedaço de pano sagrado
insígnias: xô Satanás! Capitalismo $elvagem!
razão humana em pitadas.
compremos em hipermercados um pouco de paciência
tolerância à sistemática do capital inesgotável.
corvos em vermelho e branco engolindo insetos esverdeados.

pra quê sair se hoje é feriado?
preciso de grana pra ter o que por a mesa.
ufanistas, cuspam nesta droga
ufanistas, achem isto jóia.

oh! dia.
diazinho sem graça!
sorrisos encardidos na sala.
lembrei! sou brasileiro a seleção é goleada
esqueci desfilar na Esplanada
perdoe-me:
oh! pátria amada

slz, 7 de setembro 1999

domingo, 24 de agosto de 2008

Shopping


Shopping

em tortos caminhos de granito brilhante
vagam almas perdidas em fugaz vigilância
podre desprovido o caminho iminente
dos que tateiam alucinados em meio as placas de neon

hombridade disse adeus
a inocência é um vício
salgados passadas em lanchonetes granfinas
eterno mundo rei! imundo aparente reino
imbecis narcisistas desfilam como semideuses

gente comprando o necessário em lojas de comercial de revista
fitam apenas as etiquetas, marca registrada, modismo...
já que não sou de ferro compro um maço de cigarros
pego a contra-mão da futilidade para gozar versos Maurícios e Patrícios

longe das vitrines impecáveis,
nos escritórios das multis de todas as partes
o jovem mundo consumista pautam
ensaios apressados traduzem:
que tenham espinhas o futuro nacional.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Desabafo de um Homem sem Fé



Desabafo de um Homem sem Fé

sem motivos.
sem motivação.
vivendo na pressão que descortina.
da impressão de se ter.
de se fazer qualquer nome.
vivendo dos tapinhas nos ombros dos bons moços.
oh! que bons samaritanos.

angústia.
lamentação.
sem vocação pra Cristo ou Judas.
fujo de mim mesmo e tenho saudades.
nas esquinas ignoro vozes de redenção.

sempre bela a vida que rebola no corpinho da menina magrela.
nos meus olhos cheios de lágrimas e vazio de fome.
o colossal vazio que me imponho.

sem motivos.
sem motivação.
"pára e escuta.
pára e pede ajuda".
minhas pequenices dariam um bom romance.

se fechar os olhos e numa garrafa guardar todo o meu delírio
talvez consiga um emprego num periódico, numa repartição popular.
copos aos menos ébrios.
elixir de contra informação.
na parede do quarto um piano.

estranho-me com esses calafrios insanos.
estou doente de saudade!
dos dias em que a poesia tinha lugar.
a maresia e as tardes de qualquer dia um quê especial.
sem muito dinheiro nos bolsos.
um burocrata a atrapalhar a vida de qualquer vestígio emocional.
autodidata de sonhos.
mestre e porto dos mares.
pretensioso a navegar mais que qualquer Ita do Norte.

estou profundamente cansado.
prestes a pedir pra sair! ou entrar...
- mas muita calma nessa hora, meu bom rapaz?
Estás à prova e sendo avaliado.
tenho planos pra você.
queres um iate? uma dama pra casar?
uma bússola para se achar o Sul de impressões primaverais?

irreconhecíveis os pincéis, as cores, a prancha
intolerável a fugacidade que me proponho.
inerte como um quadro de quem se contempla um sorriso triste.
paisagem de desencanto numa guerra que está por ser perdida.

domingo, 3 de agosto de 2008

Química Teia



Química Teia
lenta abertura de olhos...
para se acreditar que a vida é possível.
agora antes e depois,
mais logo é o acaso:
seco e servil.
a respeito me ponho a pensar,
que a Afinidade guarda a Finalidade.
sonhos de menino novo,
peças Lego em constantes conexões.
há ciência o bastante em predispor sorrisos
guardo impressões de uma primeira vez.
cultivando musas deram-me bandejas
atípicos preparativos para um louco encantamento.
feitiço Maia ou remédio de prateleiras?
eis que me surge um gostoso desassossego.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Loucos de pedra


foto: Herick Murad


Brasília vive um momento especial. Prepara-se para comemoração de seus 50 anos em 2010 e vive a expectativa de ser escolhida uma das sedes da Copa do Mundo em 2014. Para alguns analistas a escolha é dada como certa. Como toda grande cidade que se prepara para festividades desse nível, Brasília precisa em um curtíssimo tempo, oferecer melhores condições de infraestrutura aos moradores e visitantes que por aqui estarão. Essa caminhada requer uma população consciente do que está por vir. De olho nas ações a serem implementadas. E um poder público atuante, certo do papel de buscar as melhores alternativas para todos.

As ações incluem melhorias na segurança pública, disponibilização de mais leitos nos hotéis, atenção especial à conservação e manutenção dos monumentos e pontos turísticos da cidade, por exemplo. Afinal, a capital pertence ao seleto grupo de cidades Patrimônio da Humanidade. No entanto, nenhuma questão chama tanto atenção quanto a do transporte público.

Brasília se transformou em verdadeiro canteiro de obras. Reclames em cima de reclames publicados no horário nobre. Viadutos, duplicação de vias, ampliação do metrô, renovação da frota de ônibus coletivos e substituição das chamadas vans do transporte alternativo por microônibus. Ainda estão previstos 600 Km de ciclovias em todo Distrito Federal e a implantação do VLT e VLP. Veículos leves sobre trilhos e pneus, respectivamente. Incrementos vitais estão sendo feitos pelo governo local somados a esforços que vem desde o Palácio do Planalto até o Banco Mundial. Em meio a essa faxina, que mais do que bem intencionada cheira a reeleição, uma medida me chamou atenção.

Baseados no projeto Brasília Limpa do GDF, há pouco mais de dois meses, fiscais da Administração de Brasília derrubaram a marretadas alguns tótens poéticos instalados nas paradas de ônibus da avenida W3. Alegaram que as placas atrapalhavam o acesso aos ônibus. Mas desde quando esses funcionários entendem de acessibilidade, mobilidade ou qualquer coisa relacionada a transporte público?

Não eram quaisquer pontos de embarque e desembarque de passageiros entregues a correria do dia a dia. Eram paradas poéticas. Ali existiam belos mosaicos com textos poéticos. Poesia cravada nas veias da cidade. Trabalho idealizado há quatro anos pelo artista plástico e líder do grupo de artistas e poetas
Loucos de Pedra, Henrique Gougon (61).

É uma lástima e uma tremenda burrice medida tão impopular e despropositada. Temos grandes e graves problemas no transporte público que estão sendo resolvidos. Mas desde quando poesia atrapalha a vida? O ir e vir de quem precisa tomar um coletivo? Os mosaicos não descaracterizavam a cidade e suas áreas tombadas. Muito pelo contrário, com suas mensagens contribuíam sim, para organização de um ideal de paz. Além disso somavam-se a construção da identidade de Brasília. Cidade que por ser jovem, e mesmo dispor de um sem número de elementos que a identifique, ainda é carente de referenciais desse tipo. A mesma poesia concreta que recebe o descaso das autoridades locais, enfeita com dizeres de Paulo Freire os jardins do MEC na Esplanada.

A foto que ilustra este post é um manifesto do grupo Loucos de Pedra contra a demolição dos mosaicos instalados nas paradas 509/510 Sul da W3. Na ausência das placas poéticas publicaram seus mosaicos nas calçadas. Versos de P.J. Cunha que emocionam àqueles que ali enxergam adiante. Longe da miopia de certos burocratas e "bem intencionados" de plantão. Tentem acabar com os mosaicos da W3, mas demolir o chão e a poesia incrustada nos corações dos que por ali vivem e passam, realmente não dá. Há mais o que se fazer, de fato, por esta cidade.

sábado, 5 de julho de 2008

Colombina


olhos abertos para o caos!
avistei-me na vitrina dos pesadelos ancestrais
saboreando bordões e idéias prontas.
há cervejas no braço da poltrona amassada
incensos da véspera nos cinzeiros da sala
um gato preto mira-me do décimo terceiro andar.
dos auditórios circenses, laboratórios da anti-retórica
e entreguismo clássico, vazou um segredo mágico.

degustei um quilo de clichês,
12 centavos a dúzia ou era o par?
era um verso de Murilo Mendes.
- num sol de tarde, devia ser praia?...

fugi do desejo alienado de parecer fácil
ou aparecer fácil! de fato:
era a bela esparramada na sala
em meio as crianças a falar bobagens
palavras vulgares
inconseqüências de seu gênio vago.

- venho muito respeitosamente, pedir-lhe
que desplugue-se e caia fora do meu rack!!!
sem ignorância chutei-a barraco à fora
recomendei que não voltasse
recordei o dia que a havia comprado.
às vésperas do Plano Collor, pra que poupar?

velha TV
sem reputação e controle remoto
pobre TV
à toa com seus tons mal acabados
impinando a tela sem necessidade
mostrando qualquer promessa de plástica (digital).

de suas janelas hi-techs
vendo a TV ao relento
a Internet bradou sua crítica contra os canais-massa.
apressada publicou em seus blogs
traduziu em winks... emotions grátis :) :p ;)
- TV de ratos jogos piada traseiros ovóides
peitos gozados glicose lágrimas
fruto de seu tubo de imagem poluído e
um alto falante tagarela como um rádio.
Horas em frente a qualquer sítio Google, pode.

na rua confortaram-na ouvindo o seu negócio.
mais tarde, um drinque no boteco próximo.
embriagaram-se ao som de imagem e voz.
times da segunda divisão da bola.

o popular assistindo não controlou a emoção.
levou-a no colo sem restrição.
bonitinha, poucas polegadas
acomodou-a no quarto sem preconceito de marca
compro-lhe um controle e ainda fez-lhe um check-up.
penosamente a quis requintada.

por vezes lembrava de sua pose no bar
colocava no Esporte ou tirava-lhe do ar
mata-tempos: subestimou seu ócio.
fugiu com um home theater e um LCD ignóbil.
final da curtição de um Pierrot assíduo sem lógica.
fingiu tudo fim de tudo:
- não creio em santas, pay per views ou estatais...

mas como era o nome dela?
do grego tele - distante
do latim visione - visão
nomes em almanaques.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Coceira no saco


Nada é mais insuportável ao homem do que o repouso total
sem paixões, sem negócios, sem distração, sem atividade. sente então o seu nada, seu abandono sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio. no mesmo instante virá no fundo de sua alma o tédio, a escuridão, a melancolia, as penas, o despeito, o desespero
(Pascal)

Coceira no saco

no auge do fazer nada
questiona-se a existência;
figura-se um olhar à palma da mão direita.
na carência do momento fita-se as algemas
que libertam de si mesmo.

"são maneiras ingratas de seguir"
o praxe do meu senso diz...
pensamentos empoierados com pó de monotonia

procuro o sol
relógios de tempo e números
caminhos de sentido traduzido
bons coices de lembranças à vista
viagens à margem da moldura

pelo menos a dormência de um prazer conjunto.

Slz, 3 de julho 2000


sábado, 14 de junho de 2008

Legenda


"Te pego na escola e encho a tua bola

com todo o meu amor (...)"
Cazuza


percebo quem és quando lês os papéis cúmplices do que sou
invento dialetos da alma introspecta que só você decifrou.
sinto algo que diz, mas sou aprendiz nesse papo de libido e amor
desconfio do que dizes e mesmo o que digo creio não sermos impostores

embarco na vida, sou clandestino, não mais que um sonhador
capto tua luz nos meus olhos, vezes finjo não olho, indicando a direção.
pra que ter a doçura, status diminuto,
se sei o que é doce fingindo saborear o amargo das coisas

falo de coisas malucas quereres do mundo tu mais que um ouvido bom.
não deixemos que a vaidade 
escassez lealdade faça de nós algo estranho
organize as verdades pra se ter as metades é preciso dividir por dois
certo e inexato detesto números piratas, numerologia nem tanto!
um cartão teu espero (não desfazer a promessa) só pra lembrar teu nome.

Slz - 21 / 01 / 2000

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Casa dos espelhos



Amigos, um poema esquecido no fundo de qualquer relicário...


Casa dos espelhos


prefiro crianças alérgicas
à tapinhas nos ombros.
só porque tenho a certeza
que a coceira que sentes, menina,
foi eu quem te dei. e mesmo que não,

deixe que eu pense!

sentada nos bancos da escola,
essa a quem prefiro chamar de charme.
fingindo-me acreditar em raras coisas
do pensamento.

que é a realidade?

a porrada avassaladora nas costas?

ou as palavras que desfilam em sua pele nua
a coçar ensejos?
(desejos anticlericais. quase todos impublicáveis

e imperdoáveis como é de praxe)

detesto conceitos e essa dialética fresca

mas tudo faria sentido
insuportavelmente
se pudesse descobrir seu último segredo?


prefiro crianças descalças, pés no chão,

deixando-me fotografar seus recreios

deixando-me sobrevoar suas poucas certezas
reféns no amor: esse sentir sem um porquê de não se saber.

brinquem com espelhos, crianças!

pois mais cedo ou mais tarde
descobrirão a sorte:
fim das possibilidades
começo de quem cogita

acaso bom de qualquer caso.

quando muitos minutos separarem
a chegada da partida
poderão dizer (crianças) que encontraram a saudade.

que é saudade? se um dia a sentirem basta.
ardência melhor que qualquer esquecimento de ontens;
relevantes, se vierem a calhar,
sobre a mesa de incertezas

passadas salgadas
gozadas

seminuas lisas
melhor que qualquer charme (e tudo são charmes!)
fel gostoso da boca

doçura perfeita

doce perfeição: detalhe mitificador? ou já mitificado?

lembranças acesas numa certa escuridão medrosa.


prefiro crianças como você, menina puta,

que dorme e também sonha

displincentemente

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Madura cria




Madura cria

que dizer, da inútil tentativa de querermos acertar sempre?
são nos dadas escolhas inúmeras, como se fosse fácil receber muitas.
por mais que o Norte tenha parecido Sul, distante e sem sentido.
colhemos sem levar em conta os criadores de nossa safra de mundos.
fartura de sensações transcendentais. 
que dizer, das tentativas frustradas? que não foram, 
pelo simples fato de não terem existido.
que dizer, se tivéssemos asas?
e nossas pegadas já não tivessem mais tanta importância.
que dizer de dois pontos opostos?e que mesmo assim 
os sonhos são cortados por corpos celestes.

os nós da véspera talvez nos façam crer em estrelas

sábado, 17 de maio de 2008

Necessidade aplicada ao texto



Necessidade aplicada ao texto
hão de chamar poema
sobrevivente sem acento e hipocrisia.
verbos em botecos da orla e horizontes virgens.
coerente mistura de amanheceres
reta indiferente ou nada.
pó das madrugadas loucura alheia linha.
rastro de pensamentos vagos
que desencontram as 4 paredes do quarto
breves e libertos papéis concretos
em bacia d'água e aromas incrédulos.

vá! mexa com desesperança as maçãs da face.
descubra o seu riso sardônico.
ao engolir dejetos e cheiros
esteja cios-hiena-mórbida em órbita tão cósmica
quanto um palmo o a sua frente.

tantas coisas e uma Bic rouca!
enquanto um ri outro chora contente
a poesia não cabe no poema na falta papel higiênico.

sábado, 10 de maio de 2008

Tecendo o amanhã


Tecendo o amanhã

tudo foi como se não tivesse sido.
corrida. nós cegos em contemplação.
um hoje ou nunca mais.
insatisfação das partes.

na soma dos resultados próximos
conclusões que doem e não maltratam,
só para não parecer tão igual.

sempre saudamos a bela máxima:
não existe mea culpa.
enfim, mais um amor fugaz.
revelar sentimentos é um equívoco
passional e proposital.

bem que se diz que o vento não atrapalha.

domingo, 4 de maio de 2008

Auto-de-fé


Auto-de-fé


Sou valdense 
sem horizonte
Cátaro pensante
Mártir sonhador

Eterno impostor


Sou hereje injustiçado
Por duas testemunhas 
CULPADO
Somos o que somos...
Somos o que querem 
que não sejamos

A sangue e sofrimento pago com a vida.

Tens uma vaguinha no céu garantida?

Reflexões casuais 
contradizem seus delírios
Não encontro saídas,  arbítrio inteligente.

... 

Seu futuro incerto!
O presente incomoda
Passado fétido!

Consertar os erros agora?
Inércia, discursos e balelas

Não reparam em nada a tristeza, 
De forçar-nos a acreditar num Deus
Reflexo das fraquezas de um homem imperfeito

Meus ideais perseguiram

Cadeados inquisidores os mutilaram
Em suas masmorras déspotas
    Me fiz pensar inglório! 

"Não faça isso, menino!
 Deus castiga!"
"Não faça isso pobre vil! 
Deus foi vendido em simonia."

A sangue e sofrimento sutilezas construídas. 
Não fiz do pensamento vício,
Apenas mil maneiras de entender o que chamavam limite.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Teoria

O ano era 1999, no mínimo cabalístico,  rs.  Eu era um jovem secundarista. Fazia o 2º ano no Colégio Santa Teresa, em São Luís do Maranhão. Tempos áureos de muita escrita, livros e sede de menino novo. Tempos de muitos sonhos. Dentre eles, a possibilidade de militar na Medicina. Naquela época estudava que nem um condenado (não quanto deveria) e não sabia muito bem pra que. Nove em cada dez secundaristas não sabem o que querem pra suas vidas ou carreiras profissionais.
Esse poema me rendeu uma página no jornal (mídia espontânea, claro! Jabá... não sabia o que era) e uma das experiências mais excitantes de minha passagem. Explico o porquê.
Inscrivi Teoria no Festival de Poesia Falada da UFMA daquele ano. Hoje o festival se chama Poemará - Festival Maranhense de Poesia, mas continua a ser promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da Federal. De quebra me candidatei a interpretar o meu poema nas eliminatórias e na grande final a ser realizada no Teatro Artur Azevedo (TAA), maior palco da cidade.
Era um festival universitário. Eu e Mateus Gato, amigo de colégio e hoje sociólogo e pesquisador na USP, éramos os únicos secundaristas na ocasião. Classificamos-nos nas eliminatórias e partimos pra grande finalíssima no TAA.
Bateu aquele frio na espinha. As menininhas que brechávamos no recreio na primeira fila. Puta responsabilidade. Um burburinho só. Amigos, vais, luzes e aplausos. Acompanhávamos um a um os amigos que subiam ao palco. Num dos camarotes meus pais e minha irmã. Subi ao palco. Era eu, um solo de guitarra do Chiquinho França e a lotação completa do teatro. Tirei os óculos à John Lennon (que tirava os óculos nos primeiros shows pra conter a timidez) mandei ver.
Putz!...
Tenho um carinho especial por aquela noite, pelos amigos que fiz naquela ocasião, por esse poema. Com alegria resgato essas linhas...


Teoria


vida
sem
vida
no torrente
folhear
de livros.


nesse marasmo
sempre se indaga:
"como se vive
além das páginas?"
não por descaso
pouco se sabe.
há vida...
a vida não cabe.


sempre há tempo!
por chato que seja buscá-lo
e grato que seja encontrar.
a vida é colorida em
capa e contracapa.
raramente um livro aberto
de cores por dentro
e figuras graúdas.


pra se buscar uma meta
pouco se mede com réguas de véspera.
desafiado, o ego não cede
ao mundo sem regras
que sem réguas traça metas.
réguas não traçam retas.

na escala dos dias meio mundo gostaria de sua decisão,
repetidas vezes à fila
não.
um quê divino em
sua ficha de inscrição.
teoria dos dias e vida,

um indeciso vestibulando

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Um dia de praia em Brasília

Na última segunda, 21 de abril, mais de 1 milhão de pessoas lotaram a Esplanada dos Ministérios para festejar os 48 anos de Brasília. Desde que cheguei aqui, nunca tinha visto tamanha manifestação popular. A seguir registros da cidade em estado de pura poesia.



Publicada no site do Estadão - 26/04/2008
legenda

sábado, 19 de abril de 2008

Telepatia


I wish you were here...


Telepatia

como tenho saudades daquilo que tenho!
mesmo que não tivesse, 
teria
e só tenho lembranças...
do olhar cúmplice, 
do beijo apaixonado,
da preocupação desinteressada, 
pelúcias de sorriso orelha a orelha, por exemplo.

tenho saudades do sol a bater no meu rosto
e os olhos fechados, descompromissadamente,
ao tentar vê-lo face a face com mira de menino.
sentado num banco à beira da praia as ondas a ir e vir
a baterem tímidas nos meus pés descalços,
fizeram-me crer que ali era o ponto de chegada
ou de fuga assistida?

há algo infinito, algo que não sei nomear.
uma certeza improvável de ser feliz onde
se esconde sincera paz de abraços íntimos.
mergulho profundo talvez, na próxima onda que virá.

BSB, abril 2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

Pequena


Pequena
se falassem amor pouco saberias.
dirias ter amado, ser amado não existe.
desista!
se não agrada a idéia burra de que hoje é diferente e
que o sorriso da véspera é sempre meu, sempre pra mim.
culpa!
pecado de nivelar o nada, 
desculpa pra pecar nivelando por baixo.
se te servisse torradas
ou qualquer satisfação sacana
não cobraria taxas, licença
ou permissão.
dez por cento entrou em desuso,
e mesmo o amor, não corresponde
ao valor das trocas comerciais.
invadindo sem bater
pulando as janelas da casa pequena,
como os ventos da total entrega irei chegar.
tentativas de do mesmo modo atingir corações.
se ouvires minha voz
e o flamejar do mapa direi
que a vida seria mais alegria.
um "também sei"...
inesquecível e fugaz
saltaria dos teus olhos.
amanhã, hoje desavisado.
Slz, 2003

Hoje não são outros dias


Hoje não são outros dias

então paraste de sonhar
mas mesmo assim ainda fecha os olhos.
então estancaste o olhar
contemplando sempre as belezas de outrora.
(as mesmas belezas de outrora)
então tereis amado
e agora nada importa, tudo à porta
esses bagulhos da alma.
então gritaste alto
em seu palco de microfonias.
então fitaste nas calçadas
riscos de monotonia
então riscaste as calçadas em demasia

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Bairro



Bairro é um grito. Uma apressada narrativa. Um pequeno relato de minhas muitas andanças pelas periferias de São Luís do Maranhão. Poema atestado. Poema de desesperança escrito em 1999, mas que se aplica aos dias de hoje em qualquer grande cidade brasileira. Aos que se julgam capazes de construir alguma coisa por seu semelhante resgato direto das pastas mofadas de ontem: bairro. Aos que preferem amenidades, por hoje, não! 

Bairro

lugar infeliz 
desprovido do sumo.
sorrisos ímpios 
serafins com fome.

carteado nas vias.
galinhas ciscam o esgoto.
o anjo chora faminto 
por um pedaço de frango.

a paisagem corrói as narinas
toca o insensível!
subtrai a dignidade
ignora a condição humana

rostos extasiados ao marasmo típico
nádegas sentadas sem serviços
os mesmos clientes fantasmas
em ramos apáticos e falidos.

periferia esquecida
discreta esperança
animais de todos os tipos
noturna constatação

habitat peculiar
que às vezes determina
a inexistência de ideais
transcendentes a sina

abutres ratos e moscas
coadjuvantes da história
onde o principal personagem
é o bicho homem que 

late
reza e
chora.

maleável miséria existente
convive nos lares felizes
"o destino há de prevalecer...
já tenho o que preciso ".

SLZ, 1999

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Para que C. Prestes Unes retorne a vida


Deus é hipertexto.
Michel Malamed

Sabe amor... Eu precisei de um tempo pra perceber que os papéis me fazem falta. Não tanto quanto você, motivo maior desta carta. Quando cito os papéis, não me refiro a meu script gozado nessa possível, edificante, pífia passagem pelo mundo. Definitivamente, não me valerei da saudade dos papéis, para falar na suada matemática de simbologias. Irresistível busca para a escolha da melhor palavra num poema. Fonema perfeito como o teu sorriso.

Mesmo o tempo, em frente ao monitor conectado do computador e suas muitas novidades, que me sugerem como um alvo. Ou as mais bobinhas boas novas da Internet, de maneira alguma, contemplam a mística dos chamados românticos e ultrapassados amantes das velhas tecnologias. Em última instância, desavisados digitais, que o são, por pura falta de sorte, oportunidade ou resistência ao aprendizado.

Enxergam na antiga Hemington, uma fiel escudeira. No punho de caligrafia apanhada, enigmática ou hilária a única salvação. Quando me refiro aos papéis, ou melhor, às folhas de papel, não falo das que estão piscando na impressora arreganhada, doidas para serem sangradas, ou à seda que repousa no boteco próximo esperando uma mão boba pra ser fumada, quem sabe.

Não, não se trata de uma apologia ao papel. Que dirá ao de pão. Ou o de jornal e suas constantes estruturas narrativas óbvias. Embalagem de peixes e outras coisas mais. Portanto, pouparei o papel higiênico. Sinto falta da folha crua pronta pra ser descabaçada, no entanto, ressuscita CPU, com puta dor e teu sorriso verde ao "inicializar".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vértice


Vértice podia se chamar: goteira na cabana próxima. Reminiscências sobre o Teorema de Pitágoras... Rs! Detalhe para a visão privilegiada dos telhados de São Luís/MA. Saudade com gosto de maresia


Vértice

há uma fresta no telhado
por onde passa excitado
um raio de luz...

pousado ali,
no bico do sapato.
pele da flor do sol.

não sei se parto
indiferente ao espetáculo,
categoricamente a que faz jus
as mãos do mistério do mundo.

um telhado
um sapato
uma nuvem

adiante descubro gotas e eis que encontro Pitágoras.

Slz, 2003

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Segrais carta ao rei português



Escrevi esses versos-crônica em 99. Influenciado pelo melhor poema piada de Murilo Mendes (embora renegue os tempos em que enveredou por esse caminho, se não leram, leiam História do Brasil) e
pelas comemorações dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil. Apesar de na época, ver aquelas festividades sem a menor graça, (afinal de contas não tínhamos muito o que comemorar) entrei na onda. Embarquei no frenesi em torno do aniversário da terrinha. A propósito do ôba ôba da mídia, em torno dos 200 anos da chegada da família real no País, e da proximidade de mais um aniversário da pátria amada idolatrada... Resgato os papéis de ontem. Abraços!


Segrais carta ao rei português

"A rede ainda não tenho,
pobre impressora falha...
Redijo a próprio punho,
envio-te um fax tropical ".
(Pedro, Vás! Caminha...)

Pensamos ser a Casa da Mãe Joana.
Disfarçamos chegar à Índia.
Seduzem as suas vergonhas,
Queremos encontrar uma mina.
Olhares curiosos avistam a praia:
Índios e pajés
Dançando samba,
Comendo feijoada.
Preferimos não jogar aos tubarões
A escória lusitana.
Deixamos que seja alimento
Das índias suburbanas.
Ao longe se vê um morro desabitado.
Logo sugerem um nome dominical.
O capitão interroga:
— Onde estão os favelados?
Confesso meu rei,
Vim mesmo foi para o Carnaval!
Mulher bonita bundas baratas,
Mas só vejo a arte da palavra
Gingando um tupi inconformado.
Capoeira Gregoriana.
É a máfia dos 3 estados.
Terra da fome
Safra sucesso.
Puxador de caravela roubando a nau.
1º Grito de independência.
Dissecaram o mártir.
— Diga ao povo que fico!!!
Enquanto gritam:
— Vá embora majestade!
Fui pra guerra mas voltei irado,
Matei Solano soou como piada.
Tiraram-me a patente de soldado,
Ainda prenderam a muamba trazida!
No símbolo da moral
Pobre crioulo desfalece:
— Desculpa, mas qual foi o meu erro?
— O desejo de ser o que não parece.
Veja! São os holandeses, os franceses.
É!!! São os bons amigos piratas!
Trouxeram tamancos e a bebida dos deuses.
Capitalismo emergente fundaram a
Equino-Antártica.
Jk, Pai dos Pobres na Praieira,
O inconformismo não distrai.
Neguei o voto por um par de botas.
Indicador e polegar também valem.
Distante a banquinha
O jogo da bicharada.
— Jogue na águia americana é garantido!
— Sou teimoso, jogo na onça pintada.
O tédio atormentava,
Providenciei uma TV com urgência.
Tinha um gordo falando,
Artistas Globais em cena.
Deixei esse papo de descobrimento
Invadi em busca de entretenimento.
Fui à Fonte Nova,
Brasil versus Resto do Mundo,
Coincidência: conhecia o País encantado o presidente.
Mas não controlou a emoção,
Queria ser popular.
Vestiu camisa, "calsão" e
Esqueceu as chuteiras.
Pediu as do artilheiro,
Em campo só fez besteira,
Abriu a zaga para os oportunistas
Pra lamento da tribo brasileira.
O manda chuva da Bahia,
Apaziguava a goleada.
— Não crucifiquem o presidente,
Isso é só maldade! Pão e circo é melhor
Que emprego de verdade.
Trilogia dos Fernandos.
Mas quem será o próximo?
— Acalmem-se está tudo bem,
Tragam Beira-mar em Pessoa logo.
Já que somos caipiras
Resolvi conhecer o interior.
Comprei um carro no Recôncavo,
Famoso no exterior.
Mas só tocava Jazz Sinatra Blue's.
Queria ouvir os tupiniquins:
Brown, Caetano, Caimy,
Gil, outros e Jobim.
Terra querida,
Terra de contrastes.
Existiam dois reis
Coexistindo em igualdade.
Um negro mineiro
Um pardo capixaba
Um craque da música
Um poeta do gramado.
País católico de pastores e ritos,
Tomei a benção a um jesuíta.
Dei adeus para a corte, amigos, Hipocrisia.
Deixe-me falar Manuel, permita:
Anos cinzentos
Anos dourados
O censor foi meu amigo
Liberando essas rimas.
Meu desejo é ficar!
Gosto mais das pessoas do que do mar
Não interessa se tem ouro
Pau-brasil algo mais...
Em relógios de TV inventamos as horas.
Para ver se ainda temos algum tempo de volta.
Somos as velhas cobaias novas do mundo,
Onde estamos?! Onde desatamos os nós?!
Há cheiro de esperança
Odor das massas
A revolução está armada
Canetas e papéis a mão
Ideais... Por ora, revelados.
Tens que ver!
Já tem café pra rapadura
Foram-se 500 anos,

E a história não muda.

domingo, 30 de março de 2008

Combinação



Esse faz parte daqueles poemetos esquecidos no fundo da gaveta. Motivo de um post no mês de janeiro. Escrito na empolgação de meus 17 anos (não faz tanto tempo assim...) saúdo aquele momento especial de minha passagem. À aquele tempo que dá saudade: Combinação.

Combinação
talvez um dia te sinta
numa linha sem saída
de um verso branco rimado
num parêntese apertado
perto de um ponto parágrafo
meu desejo grita.
sentido não acho,
pra completar-me em cheio.
Eu sem Você,
por vezes, um pronome imperfeito.
mas sempre ao meu lado conjunções
E essa tal reticências...

slz/ma, 27 de abril 2000


sexta-feira, 28 de março de 2008

Clã Destino


por que não durmo?
e tenho utopias
sobre o criado
mudo?

farejo hennas
e um papai-noel blue,
numa sociedade cosmopolita
que me deixa à margem de tudo.

já não canto a liberdade.
ma(i)s um estado de espírito.
(nem mesmo és moça
fugaz e um olhar triste
que traz no colo esses
rótulos míticos.)

trago conveniências úmidas.
tempos... muros altos e sujos.
quando sonhos eram de graça
e utopias, bem... quase
nunca guardadas no armário.

sobre o criado mudo
tenho verdades surdas,
mas por que elas me dizem
migalhas de tudo?
talvez Kant um canto chulo,
com pouca subversão sob prateleiras.

por que não durmo?
enlouquecendo em vigília,
resgatando a travessia;
e mesmo, sem viver
horizontes mais.

talvez seja um mero vigia;
náufrago pra de vez não afundar.

slz/2001

terça-feira, 25 de março de 2008

Não sinta o método


stratuscirros: inspiração nos céus da bodega | online

Não Sinta o Método

Ás vezes
Tudo
É como se não
Tivesse sido:
Nada.
Talvez
Por não termos
A noção exata
Das coisas,
Do tempo.
Esse cristal inflamável
Gás frágil.
Por desconhecermos o todo
Concluímos que somos pouca coisa.
Lodo.
Tolos miseráveis.
Pretensiosos que abominam
Meio termos em geral.
“É tudo ou nada!”
Não se encontra fechadura
Pra tantas chaves.
Tudo é (tão) sem fim!
O universo por exemplo.
E aí o mar, as estrelas,
As estrelas do mar.
(Na escola era assim).
O nada é tão pouco
Que coçamos de desejo.
Por ser nada e nem sempre valer a pena
Pra nos machucarmos
E acreditar num deus pequeno.
Por pior que seja, Deus não está
No todo, está no nada.
O nada está aí pra aliciar

Tudo são convenções bobas
De um mundo simpático.
Nada é contável
Inclusive as rugas da cara.
As coisas habitam perto...
Pra ver, não precisa
(Verdadeiramente)
Estar com os olhos abertos.
Nada é conveniente
Tudo é um absurdo
(Note! Os extremos se completam.)
Não temos certezas;
Absolutas verdades.
Há coisas melhores pra se pensar,
Mas por que será que só temos perguntas
No senso de ser tudo oito ou oitenta?
slz /2000

quinta-feira, 20 de março de 2008

O homem que não vendeu a sua alma


Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força
(George Orwell)
O homem que não vendeu a sua alma

na lisura vaga de uma página inexata
dos raros poetas sem susto pairou
o desejo de ser mais um dentre poucos.
desses, que levantam bandeiras justas
do ponto de vista em curso, guardadas
em almanaques utópicos de/para todas idades.
bandeiras opacas, mofadas de tempos,
mas com um especial sabor entre os dedos.
sim! não tens ideologias, mas um punhado de idéias rôtas
que desafiam o senso comum, esquecidas nos bolsos,
sem se saber os porquês de dizerem grandes coisas.
não sejas bárbaro ao romper paradigmas,
pois estarás condenado a um gueto vil.
arrumadinho pras tias e alguns vizinhos,
peidando misericórdia, primórdios de abril.
já não seduz falar de uma beleza sua.
pelo menos conserve um coletivo aparente.
sem lírica suficiente a sua impressão social.
dessas, que não se lê no jornal por pura falta de tempo.
essa tal fertilidade icógnita
de ideais que fedem ao amanhecer,
que acordam para o alvorecer
de dias menos felizes — como se diz...
como se diz país? em trinta e cinco signos imbecis?
- riso, so(r)riso numa bandeira de cabeça para baixo.
não mais, um papagaio caricato, eternamente:
- cá, louro! isso mesmo, calouro. viva ao Zé Carioca!
1
uma fórmula baseada em água pura, ar puro,
alimentos puros, sós, já não resolvem.
mesmo assim revoguem os consórcios da Amazônia.
Deus é dessas bandas, pois já sofre de diabetes tipo 2.
- opa!!! degusto o Pão de açúcar.
ordem e protesto! tira as calças e faz sucesso,
mas que agora pra tê-lo é frescura.
só frescura...
bato na TV com manha...
sou empírico por bater e ela funcionar sem manha.
por ter o desespero na porta e uma merda de diploma.
por estar com fome saciando-me aos poucos.
por comer com os olhos as louras que dançam
e depois me julgar um idiota – achá-las idiotas – ali em liquidação.
os sentidos confundem,
"há que endurecer sem perder a ternura."
decerto, já dizia o soldadinho de chumbo
sobre a prateleira do quarto conspirando.
essa modéstia em declarar:
morremos por máquinas burras.
às vezes, por pátrias e pendengas escrotas.
bravo! elas não dizem nada
mesmo assim “vum bora” pra Timor.
porra!
corra!
com nexo e uma camuflada sandália de dedos.
bem vindos ao século winte e 1
e outras estéticas sociofilosóficas!
preciso resgatar valores cafonas
mas minha bandeira rasgou-se
de tanto ócio e vontades salientes.
2
estou pronto pra esse tipo de idéias.
como disse Karlos Máximos, em a Capital do Pé da Serra,
página anexa, sexto parágrafo:


“vou–mostrar–que-sou-tigrão!
fumando as obras completas de Leão XIII
e outros camaradas da Companhia de Jesus. ”
Deus sabe porque leu – quem sabe?
talvez nós: ciganos. latino-americanos do sul do mapa.
último bloco da fila canhota. de pé, no pé da parede,
só pra escorar sentimentos tropicais
e nenhum sabor convincente nas mãos
dentro dos próximos instantes.

slz/ma, 15 abril 2001

terça-feira, 18 de março de 2008

Showmício


Perdoem o desabafo...
Todo desprezo a qualquer espécie de discurso alienante e congênere. Todo desdém a essa curriola PODRE de ratos. Gatunos que roubam silenciosamente na tranquilidade ignóbel de seus gabinetes. Toda esperança no povo, que cansado em suas entranhas, aprenderá o significado do ato de votar e da palavra democracia...

Showmício
Discurso infame.
Homem de nome
Nos palanques da cidade.
Anedotas contadas
A um povo massa.
Que não é pasta italiana.
Comício sem graça.
Grana lavada
Ali, no meio da praça.
Sorrisos largos
Contemplam a mentira.
Santa oligarquia.
Palavras ilusórias,
Cabeças inglórias,
Os braços se agitam.
Ao vivo campal e
Ridículo. É show
Ou é comício?
Entrego a sorte,
Cruzo os dedos.
Aguardo...
Microfones abertos
Vozes sensatas.
Nada contra música baiana.
Meigo e inflamado
Sinto por terem-me subestimado
Com camisas, cartazes e bundas.
De quatro em quatro anos
Alguns fogem a realidade.
Drogam-se com seus personagens.
Horário televisionado
Agora é ópio dispensado
Com o controle remoto.
As vozes se calam,
Voltam satisfeitos. Enfim,
Viram a Sheila Carvalho.

slz/ma, 7 outubro 99

quarta-feira, 12 de março de 2008

Prestação de contas


um poema de liberdade...


Prestação de contas


e mesmo antes se sinta
numa linha de idéia
em versos brancos com rima
da multidão plebéia
baratos sonhos na esquina
pros velhos caras da América.

é uma vergonha o holerite,
querem ver meu contra-cheque.
demagogia não tem limites
em seus discursos-aquarela.
vendem o sonho mascarado
em carnaval e novela.

não se trata de uma regra
do que se faz os dias?
a vida é eminente
não se faz só se copia.
espera-se por um deus
de quem se ganha na loteria.

mil sentidos achamos
pra seguir de vez.
nós sem complemento,
pronomes sem endereço
ávidos de utopia
quatro cantos reticências.
direitos concretos em papéis lenda.

o sonho humano termina
onde começa o alheio
não o encontro em dicionários
resto do mundo pequeno.
da nua realidade vivem alguns
sonhos belos. liberdade nas mãos,
não lavar as do cético.

a ditadura nova sorri.
“não mede caras!”
toques de recolher,
bichos no chão da casa.
liberdade é tudo
mais que a soma das partes.
e talvez o mundo seja mesmo
apenas a ante-sala.