domingo, 30 de março de 2008

Combinação



Esse faz parte daqueles poemetos esquecidos no fundo da gaveta. Motivo de um post no mês de janeiro. Escrito na empolgação de meus 17 anos (não faz tanto tempo assim...) saúdo aquele momento especial de minha passagem. À aquele tempo que dá saudade: Combinação.

Combinação
talvez um dia te sinta
numa linha sem saída
de um verso branco rimado
num parêntese apertado
perto de um ponto parágrafo
meu desejo grita.
sentido não acho,
pra completar-me em cheio.
Eu sem Você,
por vezes, um pronome imperfeito.
mas sempre ao meu lado conjunções
E essa tal reticências...

slz/ma, 27 de abril 2000


sexta-feira, 28 de março de 2008

Clã Destino


por que não durmo?
e tenho utopias
sobre o criado
mudo?

farejo hennas
e um papai-noel blue,
numa sociedade cosmopolita
que me deixa à margem de tudo.

já não canto a liberdade.
ma(i)s um estado de espírito.
(nem mesmo és moça
fugaz e um olhar triste
que traz no colo esses
rótulos míticos.)

trago conveniências úmidas.
tempos... muros altos e sujos.
quando sonhos eram de graça
e utopias, bem... quase
nunca guardadas no armário.

sobre o criado mudo
tenho verdades surdas,
mas por que elas me dizem
migalhas de tudo?
talvez Kant um canto chulo,
com pouca subversão sob prateleiras.

por que não durmo?
enlouquecendo em vigília,
resgatando a travessia;
e mesmo, sem viver
horizontes mais.

talvez seja um mero vigia;
náufrago pra de vez não afundar.

slz/2001

terça-feira, 25 de março de 2008

Não sinta o método


stratuscirros: inspiração nos céus da bodega | online

Não Sinta o Método

Ás vezes
Tudo
É como se não
Tivesse sido:
Nada.
Talvez
Por não termos
A noção exata
Das coisas,
Do tempo.
Esse cristal inflamável
Gás frágil.
Por desconhecermos o todo
Concluímos que somos pouca coisa.
Lodo.
Tolos miseráveis.
Pretensiosos que abominam
Meio termos em geral.
“É tudo ou nada!”
Não se encontra fechadura
Pra tantas chaves.
Tudo é (tão) sem fim!
O universo por exemplo.
E aí o mar, as estrelas,
As estrelas do mar.
(Na escola era assim).
O nada é tão pouco
Que coçamos de desejo.
Por ser nada e nem sempre valer a pena
Pra nos machucarmos
E acreditar num deus pequeno.
Por pior que seja, Deus não está
No todo, está no nada.
O nada está aí pra aliciar

Tudo são convenções bobas
De um mundo simpático.
Nada é contável
Inclusive as rugas da cara.
As coisas habitam perto...
Pra ver, não precisa
(Verdadeiramente)
Estar com os olhos abertos.
Nada é conveniente
Tudo é um absurdo
(Note! Os extremos se completam.)
Não temos certezas;
Absolutas verdades.
Há coisas melhores pra se pensar,
Mas por que será que só temos perguntas
No senso de ser tudo oito ou oitenta?
slz /2000

quinta-feira, 20 de março de 2008

O homem que não vendeu a sua alma


Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força
(George Orwell)
O homem que não vendeu a sua alma

na lisura vaga de uma página inexata
dos raros poetas sem susto pairou
o desejo de ser mais um dentre poucos.
desses, que levantam bandeiras justas
do ponto de vista em curso, guardadas
em almanaques utópicos de/para todas idades.
bandeiras opacas, mofadas de tempos,
mas com um especial sabor entre os dedos.
sim! não tens ideologias, mas um punhado de idéias rôtas
que desafiam o senso comum, esquecidas nos bolsos,
sem se saber os porquês de dizerem grandes coisas.
não sejas bárbaro ao romper paradigmas,
pois estarás condenado a um gueto vil.
arrumadinho pras tias e alguns vizinhos,
peidando misericórdia, primórdios de abril.
já não seduz falar de uma beleza sua.
pelo menos conserve um coletivo aparente.
sem lírica suficiente a sua impressão social.
dessas, que não se lê no jornal por pura falta de tempo.
essa tal fertilidade icógnita
de ideais que fedem ao amanhecer,
que acordam para o alvorecer
de dias menos felizes — como se diz...
como se diz país? em trinta e cinco signos imbecis?
- riso, so(r)riso numa bandeira de cabeça para baixo.
não mais, um papagaio caricato, eternamente:
- cá, louro! isso mesmo, calouro. viva ao Zé Carioca!
1
uma fórmula baseada em água pura, ar puro,
alimentos puros, sós, já não resolvem.
mesmo assim revoguem os consórcios da Amazônia.
Deus é dessas bandas, pois já sofre de diabetes tipo 2.
- opa!!! degusto o Pão de açúcar.
ordem e protesto! tira as calças e faz sucesso,
mas que agora pra tê-lo é frescura.
só frescura...
bato na TV com manha...
sou empírico por bater e ela funcionar sem manha.
por ter o desespero na porta e uma merda de diploma.
por estar com fome saciando-me aos poucos.
por comer com os olhos as louras que dançam
e depois me julgar um idiota – achá-las idiotas – ali em liquidação.
os sentidos confundem,
"há que endurecer sem perder a ternura."
decerto, já dizia o soldadinho de chumbo
sobre a prateleira do quarto conspirando.
essa modéstia em declarar:
morremos por máquinas burras.
às vezes, por pátrias e pendengas escrotas.
bravo! elas não dizem nada
mesmo assim “vum bora” pra Timor.
porra!
corra!
com nexo e uma camuflada sandália de dedos.
bem vindos ao século winte e 1
e outras estéticas sociofilosóficas!
preciso resgatar valores cafonas
mas minha bandeira rasgou-se
de tanto ócio e vontades salientes.
2
estou pronto pra esse tipo de idéias.
como disse Karlos Máximos, em a Capital do Pé da Serra,
página anexa, sexto parágrafo:


“vou–mostrar–que-sou-tigrão!
fumando as obras completas de Leão XIII
e outros camaradas da Companhia de Jesus. ”
Deus sabe porque leu – quem sabe?
talvez nós: ciganos. latino-americanos do sul do mapa.
último bloco da fila canhota. de pé, no pé da parede,
só pra escorar sentimentos tropicais
e nenhum sabor convincente nas mãos
dentro dos próximos instantes.

slz/ma, 15 abril 2001

terça-feira, 18 de março de 2008

Showmício


Perdoem o desabafo...
Todo desprezo a qualquer espécie de discurso alienante e congênere. Todo desdém a essa curriola PODRE de ratos. Gatunos que roubam silenciosamente na tranquilidade ignóbel de seus gabinetes. Toda esperança no povo, que cansado em suas entranhas, aprenderá o significado do ato de votar e da palavra democracia...

Showmício
Discurso infame.
Homem de nome
Nos palanques da cidade.
Anedotas contadas
A um povo massa.
Que não é pasta italiana.
Comício sem graça.
Grana lavada
Ali, no meio da praça.
Sorrisos largos
Contemplam a mentira.
Santa oligarquia.
Palavras ilusórias,
Cabeças inglórias,
Os braços se agitam.
Ao vivo campal e
Ridículo. É show
Ou é comício?
Entrego a sorte,
Cruzo os dedos.
Aguardo...
Microfones abertos
Vozes sensatas.
Nada contra música baiana.
Meigo e inflamado
Sinto por terem-me subestimado
Com camisas, cartazes e bundas.
De quatro em quatro anos
Alguns fogem a realidade.
Drogam-se com seus personagens.
Horário televisionado
Agora é ópio dispensado
Com o controle remoto.
As vozes se calam,
Voltam satisfeitos. Enfim,
Viram a Sheila Carvalho.

slz/ma, 7 outubro 99

quarta-feira, 12 de março de 2008

Prestação de contas


um poema de liberdade...


Prestação de contas


e mesmo antes se sinta
numa linha de idéia
em versos brancos com rima
da multidão plebéia
baratos sonhos na esquina
pros velhos caras da América.

é uma vergonha o holerite,
querem ver meu contra-cheque.
demagogia não tem limites
em seus discursos-aquarela.
vendem o sonho mascarado
em carnaval e novela.

não se trata de uma regra
do que se faz os dias?
a vida é eminente
não se faz só se copia.
espera-se por um deus
de quem se ganha na loteria.

mil sentidos achamos
pra seguir de vez.
nós sem complemento,
pronomes sem endereço
ávidos de utopia
quatro cantos reticências.
direitos concretos em papéis lenda.

o sonho humano termina
onde começa o alheio
não o encontro em dicionários
resto do mundo pequeno.
da nua realidade vivem alguns
sonhos belos. liberdade nas mãos,
não lavar as do cético.

a ditadura nova sorri.
“não mede caras!”
toques de recolher,
bichos no chão da casa.
liberdade é tudo
mais que a soma das partes.
e talvez o mundo seja mesmo
apenas a ante-sala.


quarta-feira, 5 de março de 2008

Anonimato



Provinciano do Sul do mapa.
Ignorante atestado do Norte.
Burrice me falta, que pena!
Corpo de emoção ausente.
Arde pelo céu da boca
Palavras que podem dizer.
Verbetes de sentido ágrafo
Coisas distantes do ABC.
Se tenho voz e vez!
Súbita lucidez
Ilusão!
Sou cão sem dono e coleira.
Poder
Falar.
Querer
Gritar.
Pra quê?!
Ora bolas!
Carambolas inconformadas
Em quitanda sem freguês.
Leis para cumprir
Códigos obsoletos
Burrice me falta, que pena!
Ou aceitar, soluçar, chorar e gemer...
slz/ma, 30 setembro 99