quarta-feira, 18 de junho de 2008

Coceira no saco


Nada é mais insuportável ao homem do que o repouso total
sem paixões, sem negócios, sem distração, sem atividade. sente então o seu nada, seu abandono sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio. no mesmo instante virá no fundo de sua alma o tédio, a escuridão, a melancolia, as penas, o despeito, o desespero
(Pascal)

Coceira no saco

no auge do fazer nada
questiona-se a existência;
figura-se um olhar à palma da mão direita.
na carência do momento fita-se as algemas
que libertam de si mesmo.

"são maneiras ingratas de seguir"
o praxe do meu senso diz...
pensamentos empoierados com pó de monotonia

procuro o sol
relógios de tempo e números
caminhos de sentido traduzido
bons coices de lembranças à vista
viagens à margem da moldura

pelo menos a dormência de um prazer conjunto.

Slz, 3 de julho 2000


sábado, 14 de junho de 2008

Legenda


"Te pego na escola e encho a tua bola

com todo o meu amor (...)"
Cazuza


percebo quem és quando lês os papéis cúmplices do que sou
invento dialetos da alma introspecta que só você decifrou.
sinto algo que diz, mas sou aprendiz nesse papo de libido e amor
desconfio do que dizes e mesmo o que digo creio não sermos impostores

embarco na vida, sou clandestino, não mais que um sonhador
capto tua luz nos meus olhos, vezes finjo não olho, indicando a direção.
pra que ter a doçura, status diminuto,
se sei o que é doce fingindo saborear o amargo das coisas

falo de coisas malucas quereres do mundo tu mais que um ouvido bom.
não deixemos que a vaidade 
escassez lealdade faça de nós algo estranho
organize as verdades pra se ter as metades é preciso dividir por dois
certo e inexato detesto números piratas, numerologia nem tanto!
um cartão teu espero (não desfazer a promessa) só pra lembrar teu nome.

Slz - 21 / 01 / 2000