domingo, 24 de agosto de 2008

Shopping


Shopping

em tortos caminhos de granito brilhante
vagam almas perdidas em fugaz vigilância
podre desprovido o caminho iminente
dos que tateiam alucinados em meio as placas de neon

hombridade disse adeus
a inocência é um vício
salgados passadas em lanchonetes granfinas
eterno mundo rei! imundo aparente reino
imbecis narcisistas desfilam como semideuses

gente comprando o necessário em lojas de comercial de revista
fitam apenas as etiquetas, marca registrada, modismo...
já que não sou de ferro compro um maço de cigarros
pego a contra-mão da futilidade para gozar versos Maurícios e Patrícios

longe das vitrines impecáveis,
nos escritórios das multis de todas as partes
o jovem mundo consumista pautam
ensaios apressados traduzem:
que tenham espinhas o futuro nacional.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Desabafo de um Homem sem Fé



Desabafo de um Homem sem Fé

sem motivos.
sem motivação.
vivendo na pressão que descortina.
da impressão de se ter.
de se fazer qualquer nome.
vivendo dos tapinhas nos ombros dos bons moços.
oh! que bons samaritanos.

angústia.
lamentação.
sem vocação pra Cristo ou Judas.
fujo de mim mesmo e tenho saudades.
nas esquinas ignoro vozes de redenção.

sempre bela a vida que rebola no corpinho da menina magrela.
nos meus olhos cheios de lágrimas e vazio de fome.
o colossal vazio que me imponho.

sem motivos.
sem motivação.
"pára e escuta.
pára e pede ajuda".
minhas pequenices dariam um bom romance.

se fechar os olhos e numa garrafa guardar todo o meu delírio
talvez consiga um emprego num periódico, numa repartição popular.
copos aos menos ébrios.
elixir de contra informação.
na parede do quarto um piano.

estranho-me com esses calafrios insanos.
estou doente de saudade!
dos dias em que a poesia tinha lugar.
a maresia e as tardes de qualquer dia um quê especial.
sem muito dinheiro nos bolsos.
um burocrata a atrapalhar a vida de qualquer vestígio emocional.
autodidata de sonhos.
mestre e porto dos mares.
pretensioso a navegar mais que qualquer Ita do Norte.

estou profundamente cansado.
prestes a pedir pra sair! ou entrar...
- mas muita calma nessa hora, meu bom rapaz?
Estás à prova e sendo avaliado.
tenho planos pra você.
queres um iate? uma dama pra casar?
uma bússola para se achar o Sul de impressões primaverais?

irreconhecíveis os pincéis, as cores, a prancha
intolerável a fugacidade que me proponho.
inerte como um quadro de quem se contempla um sorriso triste.
paisagem de desencanto numa guerra que está por ser perdida.

domingo, 3 de agosto de 2008

Química Teia



Química Teia
lenta abertura de olhos...
para se acreditar que a vida é possível.
agora antes e depois,
mais logo é o acaso:
seco e servil.
a respeito me ponho a pensar,
que a Afinidade guarda a Finalidade.
sonhos de menino novo,
peças Lego em constantes conexões.
há ciência o bastante em predispor sorrisos
guardo impressões de uma primeira vez.
cultivando musas deram-me bandejas
atípicos preparativos para um louco encantamento.
feitiço Maia ou remédio de prateleiras?
eis que me surge um gostoso desassossego.