terça-feira, 20 de abril de 2010

Outros argumentos



Às quatro e meia rola pela cama. Põe um travesseiro entre as pernas mas não resolve. Uma dor de cabeça, ainda da véspera, a incomoda. Mas o que de fato tira o sono da princesa? O que a leva a pensar que amenidades são coisas inventadas por algum desocupado na mesa do bar.

O quarto está vazio. A casa está vazia. Entre a porta do banheiro e a esquina da sala fotografias de um tempo para ser guardado em fotografias. Um pensamento bom invade a casa ao mesmo tempo que o sol desvirginiza os tacos recém encerados.

Entre uma torrada e um gole de leite quente pensa em mudar de ares. Dessa vez seu excesso de reservas não a impedirá de fazê-lo. Aliás, o excesso de reservas a tortura. Podia ser menos inibida? Mais "saidinha" sem parecer artificial?

Passa despercebida, mas a mulher que passa, não. A maioria a acha séria, mas há um grande senso de humor, um jeito moleque, uma versão particular. Tradução conhecida por poucos. Está insatisfeita e continua a idealizar o mundo, as pessoas. Achar a pessoa certa requer outros argumentos.

Há um coração pulsando naquele corpo de sereia, ainda que seus referenciais não sejam os mesmos.