domingo, 9 de dezembro de 2012

Desenho antigo


Desenho antigo

e houve naturalmente a criação:
uma casa flores um carro...
lápis afiado, verde nas árvores,
pontinhos vermelhos são maçãs gala.

um barco duas velas e âncora
cais de pescaria ondas no mar
peixes felizes na correnteza.

na montanha nuvens graúdas
sóis e aviões contentes no alto
num risco distante gaivotas no céu

cores, cheiros e lembranças únicas
formas e pensamentos misturam-se.
toda reverência ao olhar criança de ver o belo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Cama e mesa




Nessa de sentir saudades todo dia
De tudo que me lembre essa mulher
Vejo triste que a vida não é
A colheita da fartura prometida.
Pobre, sonho com a sua beleza
Sua fruta, cheiro e rebolado
Em sua língua e palavreado
A repetir com boca cheia que é minha.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
Ao aconchego de seu peito.

As riquezas do mundo de uma vez
Mesa farta, cama cheia e poesia
Impossíveis pra qualquer freguesia
Agora me sorriem antes das seis.
Abro a porta devagarzinho
E com um beijo vem me saudar.
Pergunta doce sobre os pés de planta...
Comidinha abraço quente aliviado.

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À delícia de seu tempero.

Não imagina o matuto apaixonado
Que cama e mesa são apenas partes.
O amor se fortalece em nove meses
Quando chegar conforme o programado.
Sonho embalado em poesia.
Enfim, a família estará completa.
Não sei se mereço a pergunta indiscreta:
- Foi na cama ou foi na rede fabricado?

Bobo não sabia
Que há muito possuía
O mapa que me guia
À felicidade de uma vida inteira.


Allyson Veras